Como a Amazônia estratégica condiciona a soberania nacional, impõe presença do Estado e exige integração por terra, rio e ar para dissuadir ameaças, crimes e pressões internacionais
A Amazônia é, antes de tudo, território, e essa dimensão territorial dá à região um papel central na defesa do Brasil.
Controlar, integrar e proteger a floresta significa garantir soberania, dissuadir pressões externas e reduzir a ação de atores ilegais.
Dados e análises sobre o tema, extraídos de estudos e documentos de defesa, mostram a necessidade de presença contínua do Estado, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco
Amazônia e geopolítica, território, fronteiras e poder
Do ponto de vista geopolítico, a Amazônia estratégica impõe desafios singulares, porque o Brasil detém cerca de 60% da Amazônia Sul-Americana, e a região faz fronteira com sete países.
Essa extensa linha de fronteira forma um arco de vigilância complexo, que exige ocupação permanente, logística adequada e políticas de integração que evitem vazios de poder.
Vazios territoriais tendem a atrair interesse externo, e por isso a integração da Amazônia é tratada como prioridade na formulação da Política Nacional de Defesa e da Estratégia Nacional de Defesa.
Presença do Estado e capacidades de defesa
A soberania se exerce na prática pela presença do Estado, e nas áreas remotas da Amazônia essa presença é multidimensional.
As Forças Armadas mantêm brigadas de selva, pelotões de fronteira, patrulhamento fluvial e vigilância aérea, e sistemas como o SIVAM/SIPAM ampliam a consciência situacional.
A atuação combinada do Exército, da Marinha e da Força Aérea assegura ocupação, mobilidade e pronta resposta em um espaço onde o acesso terrestre é limitado, reduzindo ameaças externas e atividades ilícitas.
Recursos naturais e interesses estratégicos globais
A Amazônia estratégica concentra recursos de valor global, incluindo as maiores reservas de água doce superficial do planeta, biodiversidade de alto potencial biotecnológico e minerais estratégicos.
Além disso, a floresta tem papel central na regulação climática, o que aumenta o escrutínio internacional e as pressões políticas sobre seu futuro.
Na lógica de defesa brasileira, proteger ambientalmente a Amazônia e exercer soberania são ações complementares, porque preservar o bioma também impede sua internacionalização formal ou informal.
Pensamento estratégico brasileiro e desafios contemporâneos
A centralidade da Amazônia estratégica está presente no pensamento de teóricos como Golbery do Couto e Silva, que via a região como fronteira estratégica do destino nacional.
Generais e estudiosos, como Carlos de Meira Mattos, alertaram que vazios demográficos são vazios de poder, e a Escola Superior de Guerra consolidou a visão de que defesa e desenvolvimento se complementam.
No século XXI, a região enfrenta ameaças híbridas, como criminalidade transnacional, garimpo ilegal e pressões informacionais, por isso a defesa da Amazônia exige políticas públicas integradas, diplomacia e ciência, além de capacidades militares.
Defender a Amazônia estratégica é, em última análise, defender o Brasil, porque quem controla e integra a região fortalece a soberania nacional e garante que decisões sobre uso, proteção e desenvolvimento permaneçam nas mãos do país.


