terça-feira
3 fevereiro

Amazônia estratégica, por que é vital para a defesa do Brasil, a soberania e o controle de recursos com Forças Armadas, SIVAM e legado de Golbery do Couto e Silva

Como a Amazônia estratégica condiciona a soberania nacional, impõe presença do Estado e exige integração por terra, rio e ar para dissuadir ameaças, crimes e pressões internacionais

A Amazônia é, antes de tudo, território, e essa dimensão territorial dá à região um papel central na defesa do Brasil.

Controlar, integrar e proteger a floresta significa garantir soberania, dissuadir pressões externas e reduzir a ação de atores ilegais.

Dados e análises sobre o tema, extraídos de estudos e documentos de defesa, mostram a necessidade de presença contínua do Estado, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco

Amazônia e geopolítica, território, fronteiras e poder

Do ponto de vista geopolítico, a Amazônia estratégica impõe desafios singulares, porque o Brasil detém cerca de 60% da Amazônia Sul-Americana, e a região faz fronteira com sete países.

Essa extensa linha de fronteira forma um arco de vigilância complexo, que exige ocupação permanente, logística adequada e políticas de integração que evitem vazios de poder.

Vazios territoriais tendem a atrair interesse externo, e por isso a integração da Amazônia é tratada como prioridade na formulação da Política Nacional de Defesa e da Estratégia Nacional de Defesa.

Presença do Estado e capacidades de defesa

A soberania se exerce na prática pela presença do Estado, e nas áreas remotas da Amazônia essa presença é multidimensional.

As Forças Armadas mantêm brigadas de selva, pelotões de fronteira, patrulhamento fluvial e vigilância aérea, e sistemas como o SIVAM/SIPAM ampliam a consciência situacional.

A atuação combinada do Exército, da Marinha e da Força Aérea assegura ocupação, mobilidade e pronta resposta em um espaço onde o acesso terrestre é limitado, reduzindo ameaças externas e atividades ilícitas.

Recursos naturais e interesses estratégicos globais

A Amazônia estratégica concentra recursos de valor global, incluindo as maiores reservas de água doce superficial do planeta, biodiversidade de alto potencial biotecnológico e minerais estratégicos.

Além disso, a floresta tem papel central na regulação climática, o que aumenta o escrutínio internacional e as pressões políticas sobre seu futuro.

Na lógica de defesa brasileira, proteger ambientalmente a Amazônia e exercer soberania são ações complementares, porque preservar o bioma também impede sua internacionalização formal ou informal.

Pensamento estratégico brasileiro e desafios contemporâneos

A centralidade da Amazônia estratégica está presente no pensamento de teóricos como Golbery do Couto e Silva, que via a região como fronteira estratégica do destino nacional.

Generais e estudiosos, como Carlos de Meira Mattos, alertaram que vazios demográficos são vazios de poder, e a Escola Superior de Guerra consolidou a visão de que defesa e desenvolvimento se complementam.

No século XXI, a região enfrenta ameaças híbridas, como criminalidade transnacional, garimpo ilegal e pressões informacionais, por isso a defesa da Amazônia exige políticas públicas integradas, diplomacia e ciência, além de capacidades militares.

Defender a Amazônia estratégica é, em última análise, defender o Brasil, porque quem controla e integra a região fortalece a soberania nacional e garante que decisões sobre uso, proteção e desenvolvimento permaneçam nas mãos do país.

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