domingo
14 junho

Marinha do Brasil aposta em drones nacionais Nauru a bordo de navios e plataformas, parceria com Xmobots e Petrobras amplia vigilância marítima e proteção ambiental

Projeto MMRE de R$ 40 milhões vai adaptar ARPs da família Nauru para operações embarcadas, levando drones nacionais com comunicações via satélite e pousos em navios em movimento

A Marinha do Brasil firmou acordo de cooperação técnica com a Xmobots e a Petrobras para empregar drones nacionais em operações navais e ambientais.

O objetivo é incorporar aeronaves remotamente pilotadas da família Nauru em navios de guerra, navios-patrulha e plataformas offshore, ampliando a vigilância e a resposta a incidentes.

O anúncio integra o projeto MMRE, com investimento estimado em R$ 40 milhões, conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil.

Drones Nauru e a evolução da defesa naval brasileira

O acordo prevê a adaptação dos ARPs da família Nauru para operações embarcadas, com avanços em aviônicos, potência e propulsão para resistir à salinidade, umidade, areia e fungos.

Também está prevista a integração de comunicações via satélite, para ampliar o alcance em regiões remotas do litoral e do Atlântico Sul.

O projeto terá que desenvolver algoritmos para decolagens e pousos em navios em movimento, como fragatas e navios-patrulha, um desafio técnico central para operações embarcadas.

Modelos citados no acordo incluem o Nauru 1000C, com até 10 horas de autonomia, já usado pelo Exército Brasileiro no monitoramento de fronteiras, e o Nauru 500C, primeiro eVTOL certificado pela ANAC para voos BVLOS, que será adaptado ao novo perfil operacional.

Vigilância marítima, soberania e combate a ilícitos

A incorporação dos drones nacionais amplia a consciência situacional das Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB), permitindo vigilância persistente com menor custo e resposta mais rápida.

Equipados com sensores avançados, os ARPs devem melhorar a detecção de manchas de óleo, identificar atividades ilícitas e localizar embarcações em risco, fortalecendo a capacidade de fiscalização e defesa.

Do ponto de vista estratégico, a parceria fortalece a Base Industrial de Defesa (BID), priorizando soluções nacionais em sistemas não tripulados e reduzindo dependência externa.

Proteção ambiental e resposta a emergências offshore

No âmbito ambiental, a iniciativa amplia a resposta a desastres marítimos e vazamentos de óleo, integrando capacidades navais e plataformas de petróleo para ações mais rápidas e seguras.

A Petrobras, que já usa drones na detecção de hidrocarbonetos, ganha plataformas mais robustas e integradas aos meios navais, melhorando a coordenação em emergências offshore.

O uso de drones nacionais também está alinhado a políticas de baixo carbono e redução de riscos operacionais, ao permitir ações precisas com menor exposição humana e maior rapidez.

Impactos e próximos passos

O programa MMRE concentra desenvolvimento tecnológico em sensores, comunicações e procedimentos de operação embarcada, com horizonte de testes e certificações específicas para ambiente marítimo.

A cooperação entre Marinha, Xmobots e Petrobras sinaliza uma mudança estrutural na estratégia brasileira para tecnologias críticas, integrando defesa, segurança energética e proteção ambiental.

Com investimentos e adaptação dos ARPs, o Brasil busca consolidar um modelo sustentável e tecnologicamente soberano de vigilância marítima, usando drones nacionais para proteger o litoral e o meio ambiente marinho.

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