Padre-capelão naval Thiago Lemos escala missas, emergências e ações sociais a bordo, com 282 dias de mar e atuação que conecta Marinha e comunidades civis
Natural do Riachuelo, no Rio de Janeiro, o primeiro-tenente capelão Thiago Lemos dos Santos une a vida religiosa e a rotina militar em uma trajetória pouco comum.
Entre missas, embarques e ações sociais, ele atua como ponto de apoio para tripulações e famílias, conciliando a batina com a farda.
Na prática, o trabalho do padre-capelão naval mistura assistência espiritual, acolhimento emocional e presença do Estado em operações e emergências.
conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco
Vocação e formação
A trajetória de Thiago começou cedo. Aos 14 anos, ingressou no seminário menor, iniciando uma formação marcada por disciplina rígida, renúncias pessoais e forte espiritualidade.
Após 11 anos de formação, foi ordenado sacerdote em outubro de 2010 pelo Cardeal Dom Orani Tempesta.
O contato com o ambiente naval veio ainda no seminário, com a observação de navios na Baía de Guanabara e a convivência com capelães navais. Depois de uma transformação pessoal, ele ingressou em 2019 no Quadro de Capelães Navais.
Rotina a bordo e funções
No cotidiano, Thiago divide a atuação entre a Paróquia São Marcelino Champagnat e a Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), em Niterói. Como padre-capelão naval, ele cumpre expediente, participa de exercícios e embarcações, mantendo disponibilidade permanente.
No navio, o capelão está disponível 24 horas por dia. Ele não porta arma, conforme determina a Convenção de Genebra, e trabalha em conjunto com equipes de saúde e assistência social para atender demandas imprevisíveis.
A tarefa inclui acolher militares em crise, comunicar perdas familiares e oferecer suporte em situações extremas, sempre com foco no bem-estar emocional da tripulação.
Missões, dias de mar e presença do Estado
O currículo embarcado de Thiago soma 282 dias de mar e inclui operações relevantes, como GUINEX II, na Fragata União, IBSAMAR, exercício naval com Índia e África do Sul, Pandemia de Covid-19 e Abrigo pelo Mar, a bordo do Navio Aeródromo Multipropósito Atlântico.
Para o padre-capelão naval, essas ações simbolizam a presença do Estado em momentos de crise, e sua atuação é descrita como ponte entre instituições e populações vulneráveis.
Na avaliação do capelão, missões a bordo aproximam a Marinha das comunidades civis e transformam embarcações em plataformas de assistência e esperança.
Evangelização digital, reconhecimento e vida pessoal
Fora do convés, Thiago ampliou o alcance de sua missão nas redes sociais, com mais de 25 mil seguidores, usando conteúdos simples para evangelizar e dialogar com o público.
Com 15 anos de sacerdócio e centenas de dias embarcado, ele também enfrentou mudanças pessoais, incluindo uma cirurgia bariátrica, tomada por motivos de vocação e saúde, que marcaram sua transição para a vida militar.
O trabalho do padre-capelão naval combina fé, disciplina e assistência humana, e segue como elo entre a Marinha, as famílias de militares e as populações atingidas por crises.
Como acompanhar e participar
Quem quiser sugerir pautas ou informar correções pode entrar em contato com a redação do Defesa em Foco pelo WhatsApp 21 99459-4395, mantendo viva a ponte entre imprensa, Força e sociedade.


