Continuidade da proposta de Golbery para o Brasil potência continental, integrando Amazônia, malha rodoviária e interiorização do desenvolvimento como pilares de soberania e poder
O general Golbery do Couto e Silva via o país como uma potência em construção, não como um resultado pronto, e defendia um projeto de longo prazo para articular território, população e recursos.
Sua perspectiva considerava a Amazônia como central para a segurança nacional, e via a presença do Estado como condição para consolidar soberania e reduzir vulnerabilidades.
Essas ideias estão presentes na obra de Golbery, conforme a obra ‘Geopolítica do Brasil’ de Golbery do Couto e Silva.
Território como fator estruturante de poder
Para Golbery, o território não é apenas espaço físico, ele é a base material do poder do Estado. Transformar a vasta extensão brasileira em coesão estratégica exigia políticas coordenadas, capazes de levar presença administrativa e infraestrutura a áreas remotas.
A Amazônia, nessa leitura, não pode permanecer como um vazio demográfico, porque a ausência do Estado fragiliza a soberania. A ocupação planejada e a presença efetiva do Estado são instrumentos de consolidação da autoridade nacional.
Integração rodoviária e interiorização do desenvolvimento
A expansão da malha rodoviária, simbolizada pela Rodovia Transamazônica, foi encarada como mais do que obra de engenharia, ela é ferramenta de afirmação nacional.
Golbery defendia que conectar litoral e interior reduziria desigualdades regionais e fortaleceria a coesão social e econômica, tornando a interiorização do desenvolvimento um componente de segurança, e não apenas de crescimento econômico.
O Brasil potência continental em construção
Segundo a visão golberiana, o Brasil reúne atributos clássicos de potência continental, como território vasto, recursos naturais e população em expansão, e o desafio é converter esse potencial em poder efetivo.
A noção de Brasil potência continental implica planejamento estratégico, investimento em infraestrutura, indústria, ciência e defesa, para que o território seja um ativo, e não um obstáculo.
Legado e atualidade do debate
Décadas depois, o debate sobre Amazônia, soberania e desenvolvimento permanece atual. A visão de Golbery segue como referência para análises que ligam integração territorial, segurança e projeto de país.
Transformar recursos e espaço em poder nacional, segundo essa leitura, exige políticas de longo prazo, coordenação institucional e ações que promovam presença econômica e social no interior do Brasil.


