Entre 12 e 15 de novembro de 1972, a presença de Wernher von Braun no DCTA e o encontro com Ozires Silva no Hangar X-10 marcaram uma ponte entre ciência espacial e indústria aeronáutica brasileira
O encontro entre Wernher von Braun e Ozires Silva no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, em São José dos Campos, foi curto, técnico e cheio de simbolismo.
Von Braun, então executivo da Fairchild Industries, não representava mais a NASA, ele havia deixado a agência meses antes, e trouxe ao Brasil experiência de ponta no desenvolvimento de foguetes.
O episódio se deu quando o país buscava construir autonomia científica e industrial, e dialogava com projetos como o EMB 110 Bandeirante, nascendo no Hangar X-10, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Visita estratégica, caráter técnico e institucional
A passagem de von Braun pelo Brasil não foi meramente simbólica, ela teve um caráter técnico e institucional, incluindo reuniões com o Estado-Maior das Forças Armadas e ministérios estratégicos da época.
Embora a imprensa paulista tenha noticiado a chegada com surpresa, as agendas privilegiaram trocas sobre capacidades industriais e possibilidades de cooperação, em um contexto de intensa corrida tecnológica global.
A presença de um nome ligado ao projeto do foguete que levou o homem à Lua trouxe reconhecimento internacional à infraestrutura científica brasileira, e realçou o momento em que o país buscava consolidar iniciativas próprias no setor aeroespacial.
Hangar X-10 e o nascimento do Bandeirante
O ponto alto das atividades foi a visita ao Hangar X-10, no então Centro Técnico Aeroespacial, local onde o projeto do EMB 110 Bandeirante ganhava forma.
O encontro entre von Braun e Ozires Silva, naquele espaço, reuniu duas trajetórias que simbolizavam ambições complementares: tecnologia espacial e desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira.
O Bandeirante representava mais do que uma aeronave regional, ele era a materialização de uma política de soberania tecnológica, formação de recursos humanos e consolidação de um polo aeroespacial em São José dos Campos.
Conexões com o programa espacial e legado
A agenda incluiu também visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, reforçando o reconhecimento internacional da capacidade científica instalada no país.
Pouco depois da visita, o governo brasileiro divulgou planos mais estruturados para desenvolver uma frota própria de satélites de comunicações, sinalizando uma ambição estratégica crescente que, anos depois, ganharia forma institucional.
Décadas mais tarde, com a Embraer consolidada globalmente e com programas espaciais estabelecidos, aquele encontro no Hangar X-10 permanece como um marco que ilustra como diálogos técnicos e visitas institucionais podem acelerar trajetórias nacionais de inovação.
Significado histórico e memória
A visita de von Braun ao DCTA, e seu encontro com Ozires Silva, não se resumiu a um protocolo, ela simbolizou a inserção do Brasil em redes globais de conhecimento e a combinação de ambição política com capacidade técnica.
No balanço histórico, o episódio ajudou a pavimentar caminhos para a indústria aeronáutica brasileira e para iniciativas espaciais, e hoje é lembrado como um dos momentos em que ciência internacional e aspiração nacional se cruzaram.


