segunda-feira
2 março

Marinha e Cefet/RJ negociam parceria em tecnologia e defesa, com foco em inteligência artificial, ciência de dados e projetos aplicados à segurança nacional

Acordo pode ampliar capacitação de oficiais e pesquisas em automação logística, inspeção de infraestrutura, energias e sistemas embarcados, integrando Marinha e Cefet/RJ em inovação aplicada

A Marinha do Brasil iniciou tratativas com o Cefet/RJ para criar uma agenda de cooperação acadêmica e tecnológica, com potencial para reforçar a capacidade científica ligada à Defesa.

O diálogo envolve o Instituto Naval de Pós-Graduação, coordenadores e docentes do Cefet/RJ, e mira áreas como inteligência artificial, ciência de dados e automação logística.

A aproximação pretende tanto qualificar oficiais quanto gerar soluções práticas para desafios estratégicos, conforme informação divulgada pelo Cefet/RJ e pelo Instituto Naval de Pós-Graduação, INPG.

Estrutura acadêmica e potencial tecnológico

Na visita à Unidade Maracanã, a comitiva do Instituto Naval de Pós-Graduação foi recebida pelo diretor-geral Mauricio Motta, pela vice-diretora Gisele Vieira e pelo diretor de Pesquisa e Pós-Graduação Ronney Boloy, em encontro na sala do Conselho Diretor, CODIR.

Durante a apresentação institucional, Motta destacou a trajetória e o porte do Cefet/RJ, citando que a instituição hoje tem cerca de 80% do corpo docente com título de doutorado, mais de 80 cursos, incluindo mais de 20 engenharias, e aproximadamente 20 mil alunos distribuídos em oito unidades, informação usada para explicar o alcance da parceria.

Foram apresentados programas de pós-graduação stricto sensu em Engenharia de Produção e Sistemas, Engenharia Mecânica e Tecnologia de Materiais, Engenharia Elétrica, Ciência da Computação, Instrumentação e Óptica Aplicada e Energia e Sociedade, além da recente elevação das notas de avaliação da CAPES.

Interesses estratégicos da Marinha

Segundo o diretor do INPG, contra-almirante Márcio Rocha, o instituto atua na coleta e organização de informações táticas que subsidiam a autoridade naval na tomada de decisões estratégicas, papel que motiva a busca por parcerias acadêmicas.

Embora o INPG não ofereça cursos próprios, sua função é articular parcerias externas que ampliem a capacitação técnico-científica dos oficiais, explicaram os representantes durante a agenda.

A aproximação com o Cefet/RJ abre espaço para cooperação em áreas sensíveis à Defesa, como inteligência artificial, ciência de dados, automação logística, inspeção de infraestrutura estratégica e tecnologias energéticas, temas considerados críticos para a soberania tecnológica nacional.

Projetos com impacto social e inovação aplicada

Na apresentação de projetos, o Cefet/RJ mostrou iniciativas com aplicação direta a órgãos públicos e a operações de campo. Entre elas está o sistema Nêmesis, que automatiza a análise de notas de empenho para apoiar órgãos de controle no combate a irregularidades em compras públicas, exemplo de pesquisa aplicada com impacto na gestão e transparência.

Foram também destacados estudos com drones para inspeção de dutos de petróleo, robôs voltados à logística, pesquisas em eventos climáticos extremos com uso de inteligência artificial e projetos de monitoramento de sinais fisiológicos para identificação de estresse operacional, temas relevantes para ambientes militares de alta pressão.

Esses projetos mostram que a cooperação entre a Marinha e o Cefet/RJ pode produzir soluções concretas, combinando formação avançada, transferência tecnológica e resultados sociais, como maior segurança de infraestrutura e melhor gestão de recursos públicos.

Cooperação que pode gerar ganhos para a sociedade

A agenda entre Marinha e Cefet/RJ prevê diálogo sobre projetos conjuntos, intercâmbio acadêmico e parcerias técnico-científicas, com potencial de replicação em outras instituições e sistemas de defesa.

Para o INPG, aproximar Defesa e academia representa um modelo em que todos ganham, especialmente a sociedade, beneficiada por tecnologias aplicadas à segurança, à transparência e ao desenvolvimento sustentável.

O avanço das negociações será acompanhado por iniciativas de pesquisa e eventos de integração, com foco em transformar conhecimento acadêmico em ferramentas úteis para a defesa nacional e para políticas públicas.

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