Visita integrou estagiários do CEPE 2025 e ADESG ao Comando Militar do Nordeste, com palestra sobre desordem mundial, vulnerabilidades regionais e a necessidade de formação estratégica
A imersão levou estagiários da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra em Alagoas ao Comando Militar do Nordeste, em Recife, em atividade ligada à Viagem de Estudos Estratégicos do CEPE 2025.
O General de Exército Francisco Carlos Machado Silva fez uma exposição sobre o cenário global, os desafios internos do Brasil e o papel do Nordeste na Defesa Nacional, ressaltando aspectos políticos, econômicos e militares.
A iniciativa buscou aproximar teoria e prática, permitindo que os participantes observassem como conceitos estudados no curso se aplicam no cotidiano das Forças Armadas, conforme informação divulgada pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra em Alagoas.
Formação estratégica e o papel do CEPE
O General Francisco Carlos destacou a necessidade de formar quadros capazes de “pensar o país”, com visão integrada dos desafios nacionais, incluindo dimensões política, econômica, social e militar.
Segundo ele, o Curso de Especialização em Política e Estratégia, o CEPE 2025, contribui para criar uma massa crítica qualificada, unindo civis e militares em troca de experiência, característica essencial do método da Escola Superior de Guerra.
A experiência do general na ESG foi apontada como decisiva para ampliar sua visão, ao permitir a interação interdisciplinar que entende o poder nacional como um sistema integrado, indo além de uma perspectiva apenas militar.
Cenário geopolítico global e impactos para o Brasil
Na palestra, o General descreveu o atual quadro internacional como uma fase de “desordem mundial”, marcada por conflitos, disputas por recursos e reconfiguração do poder global.
Ele citou o crescimento de ameaças tecnológicas, como o uso de drones, inteligência artificial e guerra cibernética, e destacou que o Brasil, apesar de suas vantagens em energia, alimentos e recursos naturais, ainda enfrenta dependência tecnológica e precisa fortalecer a Base Industrial de Defesa.
Para os alunos do CEPE 2025, compreender esse ambiente internacional complexo é essencial para formular políticas públicas e estratégias de defesa eficazes, com capacidade de interpretar cenários multilaterais.
Nordeste como área estratégica, vulnerabilidades e atuação do Exército
O General assinalou que o Nordeste tem importância histórica e atual, por sua extensa faixa litorânea, posição no Atlântico Sul, capacidades logísticas e potencial energético.
Ao mesmo tempo, apontou desafios como a presença de facções criminosas, desigualdades sociais e vulnerabilidades climáticas, fatores que impactam a segurança e a estabilidade regional.
Nesse contexto, o Exército atua em defesa tradicional e em missões subsidiárias, como apoio à defesa civil, operações humanitárias e projetos como a Operação Carro-Pipa, que exemplificam a integração entre Defesa e desenvolvimento.
O general também destacou iniciativas de aproximação com a sociedade, citando os Tiros de Guerra, definidos como verdadeiras “fábricas de cidadania”, que contribuem para a formação de jovens com valores cívicos e disciplina.
Implicações para políticas públicas e formação
A visita reforçou a ideia de que a formação oferecida pelo CEPE 2025 é parte da construção de um pensamento estratégico nacional, necessário para enfrentar ameaças complexas e aproveitar as vantagens geopolíticas do país.
Integrar conhecimento técnico, análise geopolítica e compreensão das realidades regionais, como as do Nordeste, aparece como prioridade para preparar quadros capazes de planejar e executar políticas de defesa alinhadas ao desenvolvimento nacional.
Para sugestões de pauta ou correções, o Defesa em Foco indica contato pelo WhatsApp 21 99459-4395.


