sexta-feira
5 junho

Argentina negocia construção de três submarinos Scorpène em Itaguaí, Brasil, com financiamento França-Brasil e impulso à exportação da indústria naval

Negociação prevê transferência tecnológica via PROSUB, financiamento apoiado por França e Brasil, e pode transformar o Complexo Naval de Itaguaí em polo regional de submarinos

A Argentina estuda a compra de três submarinos da classe Scorpène que, segundo o governo brasileiro, poderiam ser construídos no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro.

O projeto envolveria financiamento apoiado pela França e pelo Brasil e marca um possível avanço da indústria de defesa brasileira na exportação de submarinos.

Informações sobre a negociação foram divulgadas em visita oficial do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, a Buenos Aires, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco

Construção em Itaguaí e transferência tecnológica

A proposta prevê que os submarinos Scorpène, projetados pelo Naval Group, sejam montados no Complexo Naval de Itaguaí, instalação responsável pela produção dos quatro submarinos da classe Riachuelo da Marinha do Brasil.

O Complexo já entregou à Marinha do Brasil os submarinos Riachuelo (S40), Humaitá (S41), Tonelero (S42) e Almirante Karam (S43), e atualmente concentra esforços na construção do submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto, marco do PROSUB.

Especialistas ouvidos destacam que a possível montagem dos submarinos argentinos em Itaguaí seria um dos resultados mais relevantes do processo de transferência tecnológica iniciado pelo Programa de Desenvolvimento de Submarinos, PROSUB, e que funcionaria como vitrine para novas exportações.

Impacto econômico e cadeia produtiva

Além do aspecto estratégico, a negociação tem forte potencial econômico, ao movimentar uma cadeia complexa de fornecedores de equipamentos, sistemas eletrônicos, estruturas metálicas e serviços especializados.

Segundo dados apresentados pelo Ministério da Defesa, a Base Industrial de Defesa (BID) representa aproximadamente 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e sustenta cerca de 4 milhões de empregos diretos e indiretos em diferentes setores da economia.

Contratos internacionais ajudariam a manter a capacidade produtiva entre encomendas nacionais, reduzir custos industriais, preservar mão de obra qualificada e estimular investimentos em pesquisa e desenvolvimento, afirmam analistas.

Consequências estratégicas para Argentina e Brasil

Para a Argentina, a aquisição dos submarinos pode recompor a capacidade de defesa marítima após anos de limitações operacionais, fortalecendo a proteção de áreas estratégicas no Atlântico Sul.

Para o Brasil, além do ganho industrial, a construção ampliaria a influência regional e consolidaria o país como potencial exportador de submarinos e tecnologia naval militar, atraindo atenção de países como Chile, Peru, Colômbia e Equador.

Diplomacia da Defesa e mercado de exportação

O episódio integra uma estratégia brasileira de Diplomacia da Defesa, que busca estreitar laços militares regionais e promover produtos nacionais, como a aeronave cargueira KC-390 Millennium, apresentada em Buenos Aires pelo ministro José Múcio Monteiro.

Se confirmada a construção dos submarinos argentinos em Itaguaí, o Brasil passaria a ocupar uma posição inédita como exportador regional de capacidade industrial naval militar, agregando valor tecnológico às suas exportações e fortalecendo sua influência estratégica no continente.

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