Seminário em Maceió reuniu Marinha, FIEA e setor produtivo para debater turismo, pesca, transporte e o potencial da Economia do Mar em Alagoas
Um seminário promovido pela Capitania dos Portos de Alagoas (CPAL) colocou em pauta o potencial econômico do litoral alagoano, com foco em turismo, pesca, transporte marítimo e sustentabilidade.
O encontro fez parte da programação da Semana da Marinha e celebrou o Dia Mundial dos Oceanos, reunindo autoridades, academia e setor produtivo para apresentar um levantamento inédito.
Os dados e análises apresentados foram discutidos por representantes da Marinha, da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, do Porto de Maceió e do Planejamento Espacial Marinho, conforme informação divulgada pela Capitania dos Portos de Alagoas (CPAL) e pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA).
Estudo revela dimensão e estrutura da Economia do Mar em Alagoas
O levantamento apresentado pela analista Claudia Beatriz Lopes Almeida traçou um panorama inédito da Economia do Mar em Alagoas, com números que expõem sua relevância para o estado.
Segundo o estudo, a Economia do Mar reúne atualmente 24,7 mil empresas ativas e mantém um estoque de aproximadamente 24,7 mil empregos formais, informação que mostra a força do segmento na economia local.
Os dados também apontam que mais de 92% das empresas estão concentradas no segmento de Serviços do Mar, o que evidencia a predominância do turismo e atividades correlatas na cadeia produtiva.
A pesquisa identifica ainda que os 16 municípios litorâneos concentram mais de 1,27 milhão de habitantes, o equivalente a 40,7% da população estadual, o que reforça o papel estratégico da faixa costeira para políticas públicas e investimentos.
Turismo, emprego e perspectivas de expansão
O estudo destaca o turismo como principal motor da economia marítima, com atividade intensa nos setores de alimentação, hospedagem e agências de viagens.
Maragogi aparece como um dos principais polos, e a pesquisa projeta crescimento do setor hoteleiro, com expectativa de 16 novos hotéis até 2026.
A recuperação do mercado de trabalho após a pandemia foi ressaltada como fator que elevou a empregabilidade nas regiões costeiras, confirmando a resiliência do segmento ligado ao mar.
Sobre o alcance das atividades marítimas, Claudia Beatriz Lopes Almeida afirmou, “A Economia do Mar é muito mais ampla do que a atividade turística. Ela engloba serviços, transporte, manufaturas, pesca, energia e defesa. Estamos falando de uma cadeia econômica estratégica para Alagoas“.
Comércio exterior e infraestrutura portuária
A importância logística do mar também foi tema central durante o seminário, com dados que mostram a dependência do comércio exterior do estado do modal marítimo.
Conforme as informações do estudo, cerca de 92% das importações e impressionantes 99,8% das exportações alagoanas são realizadas por via marítima, evidenciando a relevância dos portos para a economia.
O administrador do Porto de Maceió, Diogo Holanda Pinheiro, destacou o papel estratégico do terminal para o desenvolvimento regional, e os números históricos reforçam essa posição.
O documento lembrou ainda o Porto de Jaraguá, que historicamente impulsionou o crescimento urbano de Maceió e atualmente movimenta cerca de 1,7 milhão de toneladas de cargas por ano, além de receber aproximadamente 8 mil passageiros de cruzeiros marítimos.
Planejamento espacial, sustentabilidade e novas oportunidades
Além dos dados econômicos, o seminário trouxe o tema do planejamento e da gestão costeira como vetor para conciliar desenvolvimento e conservação ambiental.
A professora Nídia Noemi Fabré falou sobre o Planejamento Espacial Marinho no Nordeste, enfatizando a necessidade de construção coletiva para garantir equilíbrio entre uso econômico e proteção ambiental.
Vandick da Silva Batista abordou a socioeconomia da pesca artesanal, ressaltando a importância cultural e econômica das comunidades pesqueiras na identidade costeira do estado.
Os debates apontaram oportunidades em manutenção e reparo de embarcações, processamento de frutos do mar, biotecnologia marinha, energias renováveis, qualificação profissional e inovação tecnológica.
Na abertura do evento, o Capitão dos Portos de Alagoas, Capitão de Fragata Rodrigo Ribeiro Gonçalves Garcia, destacou a integração entre diferentes setores, afirmando, “Quando a gente consegue reunir a comunidade acadêmica, o setor produtivo e o setor governamental, conseguimos desenvolver melhor as oportunidades para a economia do mar aqui em Alagoas“.
Os resultados do seminário e o estudo da FIEA oferecem subsídios técnicos para orientar políticas públicas, atrair investimentos e fomentar a Economia Azul como estratégia de crescimento sustentável para o estado.


