Campanha da FAB reforça que a soltura de balões é crime, aumenta acidentes aéreos em junho e julho, ameaça comunidades no solo e exige registro no Portal Único de Notificação
A Força Aérea Brasileira intensificou ações de conscientização contra a soltura de balões durante as festas juninas, período que registra aumento desse tipo de ocorrência.
A campanha alerta para a gravidade do risco à aviação, para os danos a redes elétricas e para o potencial de incêndios em áreas urbanas e rurais.
As informações são da Força Aérea Brasileira, por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, e foram divulgadas como parte da mobilização preventiva para junho e julho, conforme informações divulgadas pela Força Aérea Brasileira (FAB).
Como o DECEA atua para proteger voos
Em casos de relatos de balões próximos a aeroportos ou rotas, o DECEA adota uma série de protocolos para reduzir riscos à navegação aérea.
De acordo com a controladora de tráfego aéreo da Torre de Controle do Galeão, Sargento Fernanda Cristina Moreira Pereira, os órgãos de controle comunicam imediatamente os operadores e pilotos que atuam na região afetada, permitindo que as equipes reajustem operações.
Os avisos também são transmitidos por meio do ATIS (Automatic Terminal Information Service), sistema utilizado para divulgar informações atualizadas sobre as condições operacionais dos aeroportos e áreas próximas, o que ajuda pilotos a redobrar a atenção em pousos e decolagens.
O risco em números, segundo o CENIPA
Levantamentos de órgãos de investigação aeronáutica apontam que o perigo é concreto e mensurável, especialmente em trechos de aproximação e subida de aeronaves.
Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, a colisão de um balão com aproximadamente 15 quilos contra uma aeronave voando a 300 km/h pode gerar um impacto equivalente a cerca de três toneladas e meia de força, dado que dimensiona a severidade do problema.
Mesmo sem impacto direto, a presença de balões pode forçar desvios de rota, causar atrasos e aumentar a carga de trabalho dos controladores, elevando o risco operacional.
Perigos no solo e quadro legal
A prática da soltura de balões não é apenas um risco para a aviação, ela também põe em risco comunidades, redes elétricas, vegetação e instalações industriais.
Após perder altitude, os artefatos podem provocar incêndios em áreas urbanas, queimadas em vegetação, danos à rede elétrica e incêndios em residências e depósitos, motivos pelos quais a legislação brasileira considera a prática ilegal e prevê sanções para responsáveis pela fabricação, comercialização, transporte ou soltura.
Monitoramento, registro e prevenção
Como parte do esforço preventivo, o setor aeronáutico passou a utilizar o Portal Único de Notificação, plataforma que centraliza registros sobre ocorrências e permite melhor acompanhamento estatístico dos incidentes.
O sistema facilita o reporte por operadores e auxilia no desenvolvimento de medidas preventivas, enquanto a campanha da FAB reforça que a segurança da aviação, das comunidades e do meio ambiente deve prevalecer sobre práticas que colocam vidas em risco.
A recomendação das autoridades é clara, a prevenção depende da colaboração de toda a sociedade, e denunciar a soltura de balões contribui para reduzir ocorrências e proteger vidas.


