Plataforma desenvolvida pelo Instituto Militar de Engenharia cria ambientes controlados para simular ataques, avaliar defesas e treinar proteção de infraestruturas críticas em solo brasileiro
O Instituto Militar de Engenharia desenvolve o CYBEROS, um cyber range nacional pensado para estudar ameaças a redes elétricas, sistemas de telecomunicações e comunicações militares sem colocar equipamentos reais em risco.
A plataforma permite simular ataques, testar vulnerabilidades, avaliar mecanismos de defesa e capacitar equipes que protegem infraestruturas críticas e sistemas ciberfísicos.
As informações sobre o projeto foram obtidas junto às documentações e publicações do IME e de parceiros do desenvolvimento, conforme informações divulgadas pelo Instituto Militar de Engenharia.
O que é o CYBEROS e como ele funciona
CYBEROS é a sigla para Cybersecurity Orchestration for Cyber-Physical Systems, e a plataforma foi concebida pelo Laboratório de Segurança Cibernética de Sistemas Ciberfísicos, LaSC, do IME.
Segundo os dados do projeto, iniciado em agosto de 2025, o projeto tem duração prevista de 18 meses e conta com fomento da FINEP/FNDCT, com desenvolvimento tecnológico em parceria com o CPQD, e propriedade intelectual pertencente ao Exército Brasileiro.
O ambiente combina virtualização de redes, integração de elementos reais, rádios definidos por software, orquestração de cenários de ataque e defesa e recursos de gamificação, permitindo criar e acompanhar situações cibernéticas complexas.
Aplicações práticas, do setor elétrico às comunicações militares
Uma das áreas previstas para uso do CYBEROS é o setor elétrico, onde sistemas de supervisão e controle interligam o digital ao físico, tornando possível que incidentes cibernéticos provoquem efeitos no mundo real.
No CYBEROS podem ser simulados incidentes em geração, transmissão, distribuição, supervisão, automação e operação, com o objetivo de testar defesas e avaliar a reação de equipes sem arriscar infraestruturas reais.
Outra vertente estratégica envolve comunicações civis e militares. A plataforma trabalha com redes privadas, comunicações via rádio e redes táticas e estratégicas, áreas essenciais para comando e controle e consciência situacional em operações militares.
Rádio Definido por Software, redes táticas e experimentação
Um componente relevante do projeto é o uso de Rádio Definido por Software (SDR), o que amplia a capacidade de reproduzir cenários de comunicações táticas modernas.
Ao incorporar SDR, o CYBEROS permite pesquisas que vão além das redes convencionais de computadores, aproximando o ambiente de teste dos problemas reais encontrados em comunicações por rádio e redes táticas.
Um artigo publicado em 17 de agosto de 2026 na Coleção Meira Mattos, assinado por Maurício Henrique Costa Dias, George Alex Fernandes Gomes, Danilo Habermann, Paulo César Pellanda e Juraci Ferreira Galdino, analisa as contribuições do CYBEROS e destaca sua vertical de redes de rádios táticos para a Defesa Nacional.
Autonomia tecnológica, parcerias e participação no Guardião Cibernético 8.0
O projeto reúne competências do IME e do CPQD, combinando experiência em segurança de sistemas ciberfísicos, simulação em tempo real e telecomunicações avançadas, o que é necessário para um cyber range que reproduz tanto componentes digitais quanto físicos.
A existência de uma plataforma nacional apoia a autonomia tecnológica, permitindo que pesquisas sensíveis à Defesa e infraestruturas críticas sejam desenvolvidas em um ambiente sobre controle institucional brasileiro.
Um marco previsto é a participação no Exercício Guardião Cibernético 8.0, entre 21 e 25 de setembro de 2026, quando uma versão preliminar do CYBEROS deverá ser utilizada no exercício, que terá hubs em várias regiões do País para simular ataques a infraestruturas críticas e testar a articulação entre Forças Armadas, órgãos governamentais, universidades e setor privado.
O Guardião propõe exercitar prevenção, detecção, resposta a incidentes, gestão de crises e recuperação, e o CYBEROS pode agregar uma ferramenta tecnológica nacional para orquestrar cenários complexos e treinar atores envolvidos em proteção de redes críticas.
Com capacidades que incluem simulação de redes elétricas, telecomunicações, rádios táticos e testbeds para pesquisa, o CYBEROS coloca o IME em uma área estratégica para a Defesa Nacional e para o fortalecimento da segurança cibernética no Brasil.


