Transição definitiva para operações por instrumentos prevista para o segundo semestre de 2026, com ampliação da zona de proteção a 20 quilômetros e regras técnicas para obras no entorno
A partir do segundo semestre de 2026, o Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, será preparado para operar sob Regras de Voo por Instrumentos, com impacto direto na segurança e na capacidade do aeródromo.
A adoção das operações IFR no Campo de Marte reduz a dependência de referências visuais em condições de baixa visibilidade, como neblina e chuva, e permite procedimentos de navegação por instrumentos.
As medidas incluem a ampliação da Zona de Proteção de Aeródromo para um raio de 20 quilômetros e mudanças na análise de novos projetos de construção, conforme informação divulgada pelo DECEA.
O que muda com a adoção das operações IFR
A implantação das operações IFR no Campo de Marte significa que as aeronaves poderão seguir procedimentos padronizados por instrumentos, o que aumenta a previsibilidade e a segurança operacional.
Além disso, o aeródromo passa a operar com maior capacidade em cenários meteorológicos adversos, porque as rotas e superfícies de proteção usadas em IFR são distintas das exigidas para VFR.
Impacto na análise de construções e nos PBZPA
Com o novo regime, cresce a importância dos Objetos Projetados no Espaço Aéreo, os OPEA, e dos Planos Básicos de Zona de Proteção de Aeródromos, os PBZPA, avaliados sob o viés IFR.
Novos empreendimentos localizados dentro do raio de 20 quilômetros passam a ser verificados quanto à compatibilidade com as superfícies e as trajetórias de proteção utilizadas em procedimentos por instrumentos.
Segundo o chefe da Subdivisão de Coordenação e Controle de Aeródromos do DECEA, “para que um projeto seja reprovado deve haver uma violação direta dos procedimentos de voo por instrumentos.” Essa diretriz mostra que a avaliação é técnica e caso a caso.
Números, comparação entre períodos e tendência
O DECEA informou que a ampliação da zona de proteção aumentou o volume de solicitações de autorização para construção na área do Campo de Marte.
Entre julho e 15 de dezembro de 2025, quando vigiam as Regras de Voo Visual, foram registrados 6.399 pedidos de autorização para construção, dos quais 4.175 foram aprovados de imediato, e 728, equivalentes a 12%, exigiram abertura de processo para avaliação mais aprofundada.
No período de 16 de dezembro de 2025 a 30 de junho de 2026, já sob critérios IFR, foram registrados 8.187 pedidos, com 4.656 aprovações imediatas e 1.081, correspondentes a 13%, transformando-se em processos de análise técnica.
Os dados mostram aumento no volume de solicitações, mas manutenção de proporção semelhante de casos que exigem avaliação aprofundada, passando de 12% para 13%.
Conciliar segurança operacional e desenvolvimento urbano
O DECEA afirma que a ampliação da Zona de Proteção IFR não representa uma proibição generalizada de construções na região do Campo de Marte.
A metodologia adotada busca identificar interferências críticas nas trajetórias instrumentais, preservando áreas essenciais à navegação, sem impedir, de forma indiscriminada, o desenvolvimento urbano fora dessas trajetórias.
Com a adoção das operações IFR no Campo de Marte, a expectativa é aumentar a capacidade do aeródromo e elevar a segurança em condições adversas, ao mesmo tempo em que a análise técnica busca equilibrar proteção aérea e crescimento da cidade.


