Como a parceria Marinha e USP transformou pesquisa em defesa em tecnologias úteis à sociedade, da formação de engenheiros ao respirador Inspire e à nova Plataforma Integrada de Pesquisa Nuclear
A comemoração dos 70 anos marcou a continuidade de um convênio que moldou áreas estratégicas no Brasil, incluindo energia nuclear, engenharia naval, computação e inovação em Defesa.
A cooperação serviu como base para projetos que combinam conhecimento acadêmico e capacidade militar, gerando tecnologia para a Marinha e benefícios diretos à população.
Com informações do Jornal da USP.
Legado histórico e marcos tecnológicos
Ao longo de sete décadas, a parceria Marinha e USP deu origem a iniciativas que marcaram a ciência brasileira, entre elas o desenvolvimento do Patinho Feio, considerado o primeiro computador construído no Brasil.
O convênio, que começou em 1956, também impulsionou o avanço do Programa Nuclear da Marinha e fortaleceu a capacidade técnica do País em setores sensíveis.
Pesquisa em Defesa que salva vidas
Um exemplo prático da conversão de pesquisa em benefício público foi o respirador pulmonar Inspire, criado durante a pandemia de covid-19 por equipes da Escola Politécnica da USP e do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, CTMSP.
O equipamento, produzido integralmente com tecnologia nacional, resultou na fabricação e distribuição gratuita de 1.000 ventiladores, enviados para 219 municípios em 16 estados, ampliando a capacidade hospitalar durante a emergência sanitária.
Formação de especialistas e indústria de Defesa
A cooperação também consolidou a formação de recursos humanos qualificados, com a criação do primeiro curso de Engenharia Naval do Brasil, fruto do convênio assinado em 1956.
Programas de pós-graduação estruturados pela parceria já formaram 412 mestres e 145 doutores, profissionais que atuam na Marinha, na indústria naval, em empresas da Base Industrial de Defesa e em centros de pesquisa.
Ecossistema de inovação e próximos passos
O modelo de integração entre universidade pública, Forças Armadas e centros de pesquisa reuniu instituições como o IPT, o IPEN e o CTMSP, criando um ecossistema capaz de desenvolver tecnologias estratégicas.
Na cerimônia realizada na Escola Politécnica, além de reconhecer marcos históricos, foi anunciada a criação da Plataforma Integrada de Pesquisa Nuclear, destinada a ampliar projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias nucleares.
Para o comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, as tecnologias emergentes exigirão uma cooperação ainda mais intensa entre academia, indústria e instituições militares, para transformar conhecimento em capacidade, ciência em desenvolvimento e tecnologia em soberania.
Ao completar 70 anos, a Parceria Marinha e USP reafirma um modelo de Estado baseado na integração entre educação, ciência e Defesa, preparando o Brasil para os desafios tecnológicos das próximas décadas.


