Portaria EB10-P-01.031 reorganiza o Exército em grupos modulares, fixa meta de ao menos 20% de efetivos em prontidão e coloca drones e defesa antiaérea como vetores centrais
O Exército Brasileiro aprovou uma nova Política de Transformação que promete redesenhar sua capacidade de combate terrestre nas próximas décadas.
A mudança desloca o foco para **drones**, **defesa antiaérea**, guerra cibernética e inteligência militar, com impacto em doutrina, organização e formação de pessoal.
As medidas, formalizadas pela Portaria EB10-P-01.031, visam tornar a Força mais ágil e preparada para o ambiente multidomínio, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Reorganização e nova lógica de emprego
A reestruturação cria cinco grupos de emprego, incluindo Forças de Emprego Imediato, de Prontidão e de Emprego Continuado, além de módulos para atuação no multidomínio e apoio ampliado.
A proposta substitui o modelo tradicional centrado em estruturas rígidas por uma lógica modular orientada por missão, para dar maior flexibilidade ao comando em crises de fronteira e operações conjuntas.
Entre as metas definidas, está manter ao menos 20% dos efetivos em alto grau de prontidão, patamar citado no próprio documento como referência internacional, o que exige investimentos em mobilidade, logística e adestramento.
Drones, aviação do Exército e defesa antiaérea
O programa Aviação do Exército e Drones passa a ser um dos vetores centrais, abrangendo sistemas para vigilância, reconhecimento e, potencialmente, ataque.
O uso intensivo de sistemas não tripulados em conflitos recentes, como na Ucrânia, acelerou a incorporação dessas tecnologias nas doutrinas, e tornou os **drones** um símbolo da transformação.
A expansão da **defesa antiaérea** é tratada como uma correção de lacunas críticas, com expectativa de novos sistemas para interceptação de drones e mísseis, elevando a proteção estratégica do País.
Inteligência, ciberdefesa e fogos de precisão
Programas como Lucerna, ComDCiber e iniciativas de IA e defesa cibernética ganham centralidade para acelerar o ciclo decisório e integrar sensores em operação.
O documento também destaca o programa ASTROS-FOGOS como eixo de dissuasão, reforçando capacidades de mísseis e fogos de precisão de longo alcance, relevantes em cenários de guerra moderna.
Impacto na indústria de Defesa e prazos
A política cria uma janela para a Base Industrial de Defesa, beneficiando empresas como Embraer, IMBEL, Avibras, SIATT, XMobots, AEL e Iveco Defesa com demanda por sensores, drones, munições inteligentes e radares.
Além das aquisições, a diretriz reforça transferência de tecnologia e autonomia produtiva como elementos de soberania, e pode reconfigurar o setor no ciclo 2028–2031.
Se executada com disciplina, metas e recursos, a transformação pode marcar o maior salto de capacidades da Força Terrestre em quatro décadas, caso contrário, corre o risco de permanecer apenas no papel.


