Avibras retoma operações em etapa gradual, com plano para reorganizar ativos, renegociar passivos e voltar a produzir sistemas estratégicos como o Astros
A retomada das atividades marca o fim de um período de paralisação e grave crise financeira na empresa.
A companhia, que estava em recuperação judicial desde 2022, iniciou um processo de reestruturação operacional e administrativa para retomar o ritmo industrial.
O movimento incluiu captação de recursos, renegociação de dívidas e acordo com o sindicato para tratar de débitos trabalhistas, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Reestruturação financeira e nova estrutura operacional
A empresa avançou em um plano que reúne renegociação de passivos, reorganização de ativos estratégicos e captação de recursos para permitir o retorno gradual das operações.
Como parte dessa transformação, foi criada a Avibras Aeroco, estrutura que concentrará tecnologias, projetos e capacidades industriais, com o objetivo de aumentar a eficiência operacional e a governança.
Em paralelo, a companhia informou ter realizado uma captação de aproximadamente R$ 300 milhões, recurso que será usado para reiniciar linhas de produção e sustentar operações iniciais.
Dados financeiros e passivos pendentes
A Avibras chega à retomada carregando um passivo elevado, cerca de R$ 800 milhões em dívidas, segundo apurado nas informações divulgadas.
O plano financeiro da empresa aposta na renegociação desses passivos e na valorização de ativos de defesa, especialmente programas exportáveis, para recuperar receitas ao longo do tempo.
Entre os ativos mais relevantes está o Sistema Astros, reconhecido nacional e internacionalmente, que deve ser peça-chave para a retomada comercial.
Impacto social, acordo trabalhista e retomada de pessoal
A paralisação afetou diretamente trabalhadores e a economia local, com uma greve iniciada em setembro de 2022 que durou cerca de 1.280 dias, tornando-se uma das mais longas do setor.
O acordo com o sindicato prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas a cerca de 1,4 mil funcionários, com parcelamento entre 12 e 48 meses, medida apontada como decisiva para viabilizar a retoma.
No momento inicial da reabertura, a Avibras opera com 271 trabalhadores, número que deve crescer com recontratações graduais conforme a demanda e a recuperação de contratos.
Perspectivas no mercado global de defesa e próximos passos
O retorno acontece em um cenário de aumento da demanda global por equipamentos militares, impulsionado por tensões geopolíticas e programas de modernização de forças armadas.
Sob a liderança de Sami Hassuani, a companhia busca crescimento sustentável e expansão para novos mercados, com foco na recuperação das capacidades industriais estratégicas do país.
A continuidade do processo dependerá da capacidade de converter a captação inicial e a reestruturação em contratos comerciais, da manutenção do diálogo com credores e do cumprimento das parcelas do acordo trabalhista.
Se bem-sucedida, a reorganização poderá recolocar a Avibras entre protagonistas do setor de defesa, preservando empregos e know-how tecnológico no Brasil.


