Na faixa de fronteira entre Brasil e Colômbia, tropas da 2ª e da 16ª Brigadas de Infantaria de Selva realizam operações regulares contra GAOR, com foco no combate ao narcotráfico e na proteção de rotas fluviais
As Forças Armadas brasileiras têm mantido confrontos periódicos na região amazônica de fronteira, em ações direcionadas a facções dissidentes das antigas Farc, que atuam no tráfico e em atividades ilícitas.
O ambiente de selva e a extensa malha hidrográfica favorecem a movimentação dos grupos, exigindo operações de presença e inteligência por parte das tropas de selva.
Em declarações públicas feitas durante um seminário em Brasília, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro Júnior, detalhou a rotina de enfrentamentos e a adaptação do Comando Militar da Amazônia a esse cenário, conforme informação divulgada pelo chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro Júnior.
Operações e atuação das brigadas
As ações no trecho de fronteira entre Brasil e Colômbia têm contado com a participação da 2ª e da 16ª Brigadas de Infantaria de Selva, unidades treinadas para operar em ambiente amazônico.
Segundo as informações apresentadas pelo general, os confrontos contra integrantes dos Grupos Armados Organizados Residuais, conhecidos como GAOR, ocorrem de forma regular, com patrulhamento fluvial e incursões em áreas onde há indícios de movimentação de drogas e de garimpo ilegal.
O Exército tem destacado a necessidade de presença contínua na faixa de fronteira, porque as rotas em rios e igarapés são usadas por organizações criminosas transnacionais para escoar entorpecentes e insumos.
Mudança de foco operacional e prioridades
O Comando Militar da Amazônia vem alterando prioridades, reduzindo a ênfase em tensões envolvendo a região do Essequibo, e concentrando esforços no enfrentamento ao narcotráfico e aos grupos armados que atuam na faixa de fronteira.
Essa mudança é reflexo do avanço do crime organizado transnacional, que transformou trechos remotos da Amazônia em corredores logísticos, obrigando as forças a ajustar planejamento e recursos.
O Exército tem tratado esse reposicionamento como defesa da soberania, e como uma resposta direta à presença persistente das dissidências das Farc na região.
Tecnologia e novos meios para ampliar vigilância
Para aumentar a capacidade de monitoramento, as Forças Armadas estudam a incorporação de sistemas como drones, embarcações rápidas, sensores e novos meios de comunicação.
Esses equipamentos devem acelerar o deslocamento de equipes, melhorar a coordenação de operações em áreas de difícil acesso, e ampliar a vigilância das fronteiras, reduzindo o tempo de resposta a movimentações suspeitas.
O emprego dessas tecnologias faz parte de um processo de modernização do Comando Militar da Amazônia, diante da crescente atuação das organizações criminosas transnacionais na região.
Resultados das operações e desafios à frente
As operações já trouxeram resultados econômicos relevantes contra o crime organizado.
Segundo dados divulgados pelo Exército Brasileiro, as operações realizadas ao longo de 2025 provocaram prejuízo superior a R$ 600 milhões ao crime organizado, por meio de apreensões, destruição de estruturas e reforço de presença em pontos estratégicos.
Apesar dos resultados, a persistência de GAOR e a complexidade do território amazônico mantêm desafios significativos, como a necessidade de integração com órgãos ambientais, ações coordenadas entre países fronteiriços, e a proteção de comunidades ribeirinhas afetadas pela violência.
Especialistas militares apontam que a continuidade das operações, aliada à modernização tecnológica e ao intercâmbio de informações regionais, será essencial para reduzir a atuação das dissidências das Farc e interromper as rotas do narcotráfico na Amazônia.


