Operação multinacional mobiliza navios, helicóptero e fuzileiros para treinos de comunicação, GVI, resposta a ameaças transfronteiriças e assistência a populações ribeirinhas
A 52ª edição da BRACOLPER 2026 reuniu as Marinhas do Brasil, da Colômbia e do Peru em uma série de exercícios combinados ao longo da região amazônica, com foco na interoperabilidade e na cooperação operacional.
Entre 18 e 28 de julho, navios, aeronaves e destacamentos de fuzileiros participaram de treinamentos que envolveram simulações de desastres naturais, assistência humanitária e ações de segurança fluvial.
Para o Comandante do 9º Distrito Naval, Vice-Almirante André Luiz de Andrade Felix, “a BRACOLPER ultrapassa a dimensão de um exercício militar”, conceito que orientou as atividades conjuntas, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Fases da operação e presença brasileira
A BRACOLPER 2026 foi organizada em três fases na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A primeira fase ocorreu em Letícia entre 18 de julho e 22 de julho, com exercícios voltados à resposta a desastres naturais e à assistência a populações indígenas e ribeirinhas.
Na etapa inicial, a Marinha do Brasil participou do desfile cívico-militar do Dia da Independência da Colômbia, celebrado em 20 de julho. A participação brasileira incluiu os Navios-Patrulha Fluvial (NPaFlu) Raposo Tavares e Amapá, e o Navio de Assistência Hospitalar Soares de Meirelles, além de uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste (EsqdHU-91) e um destacamento do 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas.
Navegação combinada e treinos de interoperabilidade
No deslocamento de Letícia para Iquitos, no Peru, as embarcações brasileiras navegaram em formação com meios colombianos e peruanos, incluindo o ARC Reyes, o BAP Castilla e o Buque Hospital Río Yavari. Durante a travessia, foram realizados exercícios para aumentar a interoperabilidade, com destaque para comunicações por sinais, ações dos Grupos de Visita e Inspeção, e treinamentos de resposta a ameaças assimétricas.
Essas atividades permitiram às tripulações praticar procedimentos comuns em um ambiente operacional compartilhado, aprimorando a coordenação entre as forças navais da região.
Assalto fluvial e Exercício Avançado de Interdição Fluvial
A segunda fase, em Iquitos, incluiu o Exercício de Assalto Fluvial, que simulou o emprego de tropas de fuzileiros em ambiente ribeirinho, cenário onde a mobilidade fluvial é essencial para deslocamento e emprego das forças.
A edição 2026 também marcou a realização, pela primeira vez, de um Exercício Avançado de Interdição Fluvial. Durante essa atividade, um militar da Marinha do Brasil efetuou uma descida por guincho a partir de uma aeronave brasileira para um navio da Marinha de Guerra do Peru, demonstrando o nível de integração operacional alcançado entre os países.
Desfiles, cooperação civil e impacto regional
As atividades no Peru incluíram a participação dos militares brasileiros no desfile militar em homenagem ao Dia da Independência do Peru, em 28 de julho, e um desfile naval no Rio Nanay, com participação de navios do Brasil, da Colômbia e do Peru.
Além do treinamento militar, a BRACOLPER 2026 levantou ações de assistência humanitária e resposta a desastres, reforçando a cooperação entre países que compartilham a bacia amazônica e ampliando as possibilidades de resposta a ameaças transfronteiriças em uma região marcada por grandes distâncias e extensa rede hidrográfica.
A 52ª edição da BRACOLPER consolida a operação como um instrumento de integração militar e cooperação entre Brasil, Colômbia e Peru na Amazônia, com ganhos em interoperabilidade, relações institucionais e capacidade de ação conjunta.


