A compra das primeiras sete viaturas Centauro II integra um plano para 98 unidades, colocando o blindado 8×8 com canhão de 120 mm no centro da modernização do Exército
O Exército Brasileiro avançou em uma nova fase da modernização blindada com a assinatura do contrato para aquisição de sete viaturas blindadas de combate de Cavalaria Centauro II, segundo comunicado oficial.
Essas sete unidades fazem parte de um planejamento que prevê a incorporação de 98 viaturas, contando os dois protótipos já recebidos, e terão funções em tropas de Cavalaria e Infantaria.
O processo inclui transferência de tecnologia e montagem parcial no Brasil, e envolve avaliações técnicas realizadas desde 2021, conforme informação divulgada pelo Exército Brasileiro.
Detalhes do contrato e logística de aquisição
O contrato foi assinado em 31 de agosto de 2026, no Quartel-General do Exército, em solenidade presidida pelo Comandante do Exército, General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva.
O documento foi assinado pelo Comandante Logístico, General de Exército Maurílio Miranda Netto Ribeiro, e pelo dirigente da CIO (Consórcio IDV–Oto Melara), Giovanni Luisi.
As sete viaturas representam o primeiro lote de uma sequência de aquisições, com previsão de 96 unidades em lotes subsequentes, além dos dois protótipos recebidos pelo Exército em 2022, totalizando 98 Centauro II.
Avaliação técnica e processo de seleção
O processo começou em 2021, com a decisão de avaliar o blindado empregado pelo Exército Italiano, e teve prosseguimento com a chegada de protótipos em 2022.
Durante os testes, foram analisados mais de 600 atributos, o lote de amostra passou por cinco fases de avaliação, e a aprovação final exigiu modificações para adaptar a plataforma à realidade operacional brasileira.
Ao fim de 2024, o Centauro II foi aprovado para incorporação à frota, marco que permitiu avançar para a contratação e incorporação progressiva das viaturas.
Capacidades técnicas e papel operacional
A viatura tem configuração 8×8 e está equipada com um canhão de 120 mm, com capacidade informada pelo Exército de atingir alvos a até 5 quilômetros.
O sistema de tiro é digital, com câmeras térmicas, telêmetro laser e estabilização avançada, o que aumenta a precisão em movimento e a capacidade de identificação de alvos.
Classificado como um carro de combate “caça-tanques”, o Centauro II combina armamento de grande calibre com elevada mobilidade sobre rodas, podendo atingir 105 km/h e com autonomia de 800 km.
Transferência de tecnologia e indústria nacional
A aquisição contempla transferência de tecnologia e montagem de parte dos veículos no Brasil, um modelo já mencionado pelo Exército em compras anteriores, como as viaturas Guarani.
O General Tomás destacou que uma parcela da compra seguirá esse modelo, incluindo montagem nacional e possibilidade de nacionalização de componentes, embora ainda não haja detalhes sobre percentuais e empresas envolvidas.
Esses aspectos industriais tornam o programa relevante também para a cadeia produtiva brasileira, além de reforçar capacidade de manutenção e suporte logístico local.
Contexto mais amplo do programa blindado
O Centauro II insere-se no Programa Estratégico Forças Blindadas, que prevê uma família de veículos sobre rodas e lagartas, incluindo Guarani 6×6, Centauro 8×8 e Guaicurus 4×4.
O projeto abrange obuseiros autopropulsados, Cascavel modernizados, viaturas blindadas de combate e viaturas-socorro, com foco na renovação das capacidades de Infantaria e Cavalaria.
Com a contratação das primeiras sete unidades, o programa entra em uma etapa concreta de incorporação, mirando maior poder de fogo e mobilidade, além da substituição gradual dos blindados Cascavel 6×6.
O cronograma detalhado de entregas, a distribuição entre montagem nacional e importadas e os percentuais de nacionalização serão definidos nos lotes subsequentes, conforme o andamento do programa e os acordos de transferência de tecnologia.


