Na quinta expedição do Projeto ‘Navio’, embarcações hospitalares e logísticas percorreram trechos remotos do Rio Paraguai, unindo assistência, ciência e o conceito de Saúde Única
O esforço levou equipes médicas e laboratórios móveis a comunidades de difícil acesso no Pantanal sul-mato-grossense, com atendimento direto à população ribeirinha.
As ações combinaram presença naval, assistência em saúde e coleta de dados para estudos epidemiológicos, ampliando a capacidade de resposta local.
O trabalho abrangeu desde consultas especializadas até sequenciamento genético embarcado, com foco na prevenção e no diagnóstico precoce, conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil.
Estrutura e meios navais
A operação usou meios fluviais estratégicos para deslocar equipes e equipamentos em trechos remotos do Rio Paraguai.
Foram empregados o Navio-Transporte Fluvial ‘Almirante Leverger’, o Navio de Apoio Logístico Fluvial ‘Potengi’ e o Navio de Assistência Hospitalar ‘Tenente Maximiano’, possibilitando atendimento contínuo onde não há acesso terrestre.
Com essa logística, as equipes chegaram a localidades como Porto da Manga, Porto Morrinho, Porto Esperança e Forte Coimbra, além de atender moradores na cidade de Porto Murtinho.
Atendimento e impacto sanitário
Ao todo, a expedição realizou 72 atendimentos médicos, 61 odontológicos e centenas de exames laboratoriais, incluindo hemograma, glicemia, perfil lipídico e função renal, além da aplicação de 184 doses de vacinas.
O atendimento incluiu especialidades como oftalmologia, reumatologia e neurologia comportamental, com enfermeiros, farmacêuticos e técnicos de enfermagem, reduzindo a necessidade de deslocamentos longos até centros urbanos.
Essas intervenções garantem atualização do calendário vacinal e diagnóstico precoce, com impacto direto na saúde das populações ribeirinhas.
Vigilância científica e Saúde Única
O Projeto ‘Navio’ tem forte componente científico, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz, e a Secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul.
Foram aplicados questionários clínicos e socioambientais, coletadas amostras biológicas e realizadas análises a bordo, incluindo sequenciamento genético de vírus e bactérias e classificação de mosquitos coletados.
Esses dados subsidiam estudos epidemiológicos e orientam políticas públicas, reforçando o conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental em uma região sensível às mudanças climáticas.
Relevância local e próximos passos
Ao fortalecer a vigilância em saúde no Pantanal, a iniciativa melhora a detecção de surtos e apoia a tomada de decisão em saúde pública.
O modelo multiprofissional e móvel mostra-se estratégico para ampliar o acesso a serviços de saúde em áreas ribeirinhas, com potencial de replicação em outras regiões de difícil acesso.


