quarta-feira
13 maio

ICMBio e Marinha iniciam construção da Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, investimento superior a R$ 7 milhões, ciência e soberania na Amazônia Azul

Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo terá terceira versão, implantação prevista até o final de 2026, mais espaço e materiais resistentes à corrosão para pesquisa e defesa

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ICMBio, e a Marinha do Brasil iniciaram a construção da nova Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, no Atlântico Equatorial.

O projeto foi aprovado em outubro de 2025 e prevê investimento superior a R$ 7 milhões, com gestão compartilhada entre ICMBio e Marinha, que mantém presença permanente no local.

O empreendimento é visto como avanço para a pesquisa científica, a conservação marinha e a afirmação da soberania brasileira na região, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.

Projeto e engenharia adaptados ao ambiente extremo

A ilha principal do arquipélago tem apenas 1,7 hectare de área emersa, o equivalente a menos de quatro campos de futebol, o que impõe limites de espaço e logística.

A Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), coordenada pela Profª Drª Cristina Engel, assinou o projeto arquitetônico da nova estação, a mesma responsável pelas instalações de 1998 e 2008.

A equipe técnica realizou mais de um ano de estudos para adaptar a estrutura às condições como mar revolto, ventos intensos, forte corrosão marinha e abalos sísmicos, e entre as inovações estão a substituição da madeira por materiais mais leves e altamente resistentes à corrosão e um sistema de montagem por encaixe, reduzindo o uso de parafusos que se desgastavam rápido nas versões anteriores.

Infraestrutura, segurança e acessos

A nova Estação Científica, a terceira versão da Estação Científica, terá mais espaço interno, áreas de convivência e um abrigo de segurança, shelter.

O projeto inclui também uma passarela de ligação com o farol, já construída em dezembro passado no ponto mais alto da ilha principal, o que reduz a necessidade de manutenção em área de difícil acesso.

A implantação está prevista até o final de 2026, e a presença permanente da Marinha garante apoio logístico, segurança e continuidade das atividades científicas.

Pesquisa científica e monitoramento permanente

O arquipélago abriga atualmente 15 projetos de pesquisa científica, vinculados ao Programa de Incentivo à Ciência no Arquipélago, coordenado pela Marinha e financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As linhas de pesquisa incluem ecologia, genética animal, oceanografia, geociências e recursos pesqueiros, com monitoramento ambiental permanente e acesso restrito por segurança.

Todos os pesquisadores passam por treinamento intensivo de sobrevivência no mar, oferecido pela Marinha, que também responde por transporte, abastecimento e manutenção da Estação.

Conservação, soberania e economia

Desde 2018 o ICMBio integra a gestão do arquipélago, quando as ilhas e um raio de 200 milhas náuticas ao redor passaram a ser protegidos por Área de Proteção Ambiental (APA) e pelo Monumento Natural (Mona) do Arquipélago de São Pedro e São Paulo.

A criação dessas unidades permitiu ao Brasil alcançar 26% de sua área marinha protegida, ampliando a preservação dos ecossistemas oceânicos sob jurisdição nacional.

Manter o Arquipélago de São Pedro e São Paulo habitável também é estratégia de soberania, pois amplia a Zona Econômica Exclusiva (ZEE) em mais de 370 km ao redor do arquipélago, integrando a Amazônia Azul, com 5,7 milhões de km² de águas sob jurisdição brasileira.

No entorno do arquipélago ocorre pesca industrial de atum, especialmente no Nordeste, e apenas no primeiro semestre de 2025 as exportações potiguares de atum superaram US$ 8 milhões, mostrando a relevância econômica da atividade, que atua sob normas de uso sustentável por se tratar de Área de Proteção Ambiental.

Riscos, desafios e perspectivas

Localizado a cerca de 1.100 km do continente, o ASPSP impõe desafios logísticos e ambientais, mas a nova estação foi pensada para durar décadas e reduzir intervenções em áreas de alto risco.

A obra, que conta com mais de R$ 7 milhões de investimento, consolida o arquipélago como plataforma de ciência, conservação e defesa, integrando conhecimento acadêmico, logística militar e presença do Estado em uma área estratégica do Atlântico Sul.

Com a nova Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, o País reforça sua capacidade científica, a proteção dos recursos marinhos e a credibilidade na gestão de espaços marítimos, com previsão de conclusão até o final de 2026.

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