A bordo do Veleiro-Escola Fraternidade, com apoio da Marinha do Brasil e escolta simbólica do Cisne Branco, a expedição saiu de Salvador e alcançou o Estreito de Bering
O navegador Aleixo Belov concluiu uma travessia inédita pela região ártica da Rússia, completando a Passagem Nordeste e tornando-se o primeiro navegador das Américas a vencer essa rota, em uma missão apoiada institucionalmente pela Marinha do Brasil.
A jornada, chamada Passagem Nordeste 2025, partiu de Salvador em abril de 2025 com 18 tripulantes brasileiros e russos e teve o Veleiro-Escola Fraternidade como embarcação principal, escoltada simbolicamente pelo Navio-Veleiro Cisne Branco até a Boca da Barra, na Baía de Todos-os-Santos.
O veleiro completou o trajeto pela costa leste do Atlântico, navegou ao norte da Europa e percorreu a costa russa até alcançar o Estreito de Bering em 1º de setembro de 2025, consolidando a primeira travessia de bandeira brasileira pela Passagem Nordeste, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
A rota, o desafio e a chegada ao Estreito de Bering
A Passagem Nordeste é reconhecida como uma das rotas mais exigentes do planeta, por operar em áreas cobertas por gelo durante a maior parte do ano. A navegação depende do curto período de degelo no verão ártico, e costuma ser feita por cargueiros e quebra-gelos, não por veleiros de porte escolar.
O percurso do Fraternidade passou próximo aos Açores, seguiu ao longo do litoral da Inglaterra, contornou o norte da Noruega e acompanhou a costa russa até o estreito que separa Ásia e América, onde a expedição alcançou o Estreito de Bering em 1º de setembro de 2025.
Com esse feito, o veleiro tornou-se a primeira embarcação de bandeira brasileira, e das Américas, a completar a Passagem Nordeste, um marco técnico e simbólico para a navegação oceânica do país.
Trajetória de vida e legado de Aleixo Belov
Nascido na Ucrânia e naturalizado brasileiro, Aleixo Belov construiu carreira no mar após chegar ao Brasil ainda criança. Formado em Engenharia Civil, tornou-se referência em navegação de longo curso e formação de marinheiros.
Belov já havia cruzado a Passagem Noroeste, pelo norte do Canadá, em 2022, e agora soma a travessia da Passagem Nordeste ao seu histórico de expedições. Aos 83 anos, após concluir sua sexta volta ao mundo, ele anunciou que se despede das grandes expedições oceânicas, deixando um legado de ensino e inspiração.
Sobre a experiência pessoal, Belov disse, “Foi a maior homenagem que pude receber nessa viagem”, ao comentar o reencontro com o Cisne Branco e a chegada ao litoral brasileiro.
Ao relatar sua relação com a formação náutica, ele lembrou, “Quando se viaja solitário, ou você aprende, ou desiste. Eu aprendi, e decidi que precisava ensinar”, frase que sintetiza sua transição de navegador solitário a mentor e construtor de um veleiro-escola.
Apoio institucional, simbolismo diplomático e futuro
Ao longo da carreira, Belov destacou a importância do apoio da Marinha do Brasil, que forneceu recursos e suporte desde suas primeiras viagens. Ele recordou, “Na minha primeira volta ao mundo, eu não tinha dinheiro para comprar cartas náuticas. A Marinha me deu todas. Se não tivesse dado, eu não teria feito”, reforçando o caráter decisivo desse suporte institucional.
A expedição também teve forte componente diplomático, integrando celebrações dos 200 anos das relações Brasil-Rússia e simbolizando cooperação entre países do BRICS. Após a passagem pelo Ártico, o Fraternidade atracou primeiro em Ilhabela, São Paulo, e seguiu para o Rio de Janeiro antes de retornar a Salvador.
O feito de Belov reafirma o mar como espaço de conhecimento e formação, e a conclusão da Passagem Nordeste por uma embarcação de ensino representa avanço técnico e inspirador para futuras gerações de navegadores brasileiros.


