quarta-feira
11 fevereiro

Therezinha de Castro e a Geopolítica Antártica Brasileira, a Teoria da Defrontação que fundamentou o PROANTAR, a Estação Comandante Ferraz e a projeção estratégica do Brasil

A Teoria da Defrontação coloca o Brasil como ator legítimo na Antártica, justificando presença científica e estratégica, sem reivindicações coloniais, para proteger interesses no Atlântico Sul

Therezinha de Castro ocupa um lugar singular no pensamento estratégico brasileiro, ao antecipar debates sobre presença e responsabilidade na Antártica.

Sua formulação central, conhecida como Teoria da Defrontação, argumenta que a posição geográfica no Atlântico Sul confere legitimidade objetiva para interesse e atuação naquela região.

Essa leitura ajudou a sustentar iniciativas como o PROANTAR e a Estação Comandante Ferraz, e deu base teórica à atuação brasileira no Sistema do Tratado da Antártica, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.

Teoria da Defrontação e a Antártica como extensão estratégica

A chamada Teoria da Defrontação, também referida como Teoria da Proa ou Teoria da Defrontação Atlântica, parte da ideia de que o continente antártico integra um continuum geopolítico.

Para Therezinha de Castro, a Antártica não é um espaço isolado ou neutro, ela conecta a América do Sul, a África Austral e o Atlântico Sul, constituindo assim um campo natural de interesses brasileiros.

Essa leitura influenciou a construção de argumentos para a presença do Brasil no continente, fundamentando ações científicas e diplomáticas, sem recorrer a reivindicações territoriais tradicionais.

Legitimidade sem colonialismo, ciência e cooperação

Um ponto central da proposta de Therezinha é que a legitimidade brasileira na Antártica é de caráter funcional, não colonial, vinculada à ciência, à cooperação e à segurança ambiental.

Ela alertava que a ausência seria uma escolha geopolítica, e que ignorar espaços decisivos normalmente acarreta custos estratégicos, portanto, presença e participação são formas de responsabilidade internacional.

Essa posição ressoa hoje, diante do interesse por recursos, rotas e pesquisa biotecnológica, reforçando a necessidade de o Brasil manter voz ativa no Atlântico Sul e no entorno polar.

Formação estratégica na Escola Superior de Guerra

Além da produção intelectual, Therezinha de Castro atuou como instrutora na Escola Superior de Guerra, onde influenciou gerações de militares e civis do Estado brasileiro.

Na ESG ela expandiu o campo da geopolítica para incluir dimensões marítimas, polares e hemisféricas, e, simbolicamente, abriu espaço feminino num ambiente predominantemente masculino.

Ao formar quadros que passaram a ocupar posições-chave, Therezinha contribuiu para criar uma cultura estratégica orientada para a projeção do Brasil no Atlântico Sul e na Antártica.

Legado e atualidade para a Geopolítica Antártica Brasileira

O pensamento de Therezinha mantém-se atual, pois oferece ao Brasil uma narrativa estratégica enraizada na geografia, orientada pela cooperação e pela visão de longo prazo.

Ao defender projeção científica e responsabilidade, ela articulou ideias sobre autonomia estratégica e antecipação geopolítica, fundamentos úteis para políticas como o PROANTAR e para a presença na Estação Comandante Ferraz.

Em tempos de revalorização do Atlântico Sul e de retorno da geopolítica, a obra de Therezinha de Castro segue sendo referência para a Geopolítica Antártica Brasileira, lembrando que pensar grande é também cuidar da ciência, da cooperação e da segurança regional.

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