A Teoria da Defrontação coloca o Brasil como ator legítimo na Antártica, justificando presença científica e estratégica, sem reivindicações coloniais, para proteger interesses no Atlântico Sul
Therezinha de Castro ocupa um lugar singular no pensamento estratégico brasileiro, ao antecipar debates sobre presença e responsabilidade na Antártica.
Sua formulação central, conhecida como Teoria da Defrontação, argumenta que a posição geográfica no Atlântico Sul confere legitimidade objetiva para interesse e atuação naquela região.
Essa leitura ajudou a sustentar iniciativas como o PROANTAR e a Estação Comandante Ferraz, e deu base teórica à atuação brasileira no Sistema do Tratado da Antártica, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Teoria da Defrontação e a Antártica como extensão estratégica
A chamada Teoria da Defrontação, também referida como Teoria da Proa ou Teoria da Defrontação Atlântica, parte da ideia de que o continente antártico integra um continuum geopolítico.
Para Therezinha de Castro, a Antártica não é um espaço isolado ou neutro, ela conecta a América do Sul, a África Austral e o Atlântico Sul, constituindo assim um campo natural de interesses brasileiros.
Essa leitura influenciou a construção de argumentos para a presença do Brasil no continente, fundamentando ações científicas e diplomáticas, sem recorrer a reivindicações territoriais tradicionais.
Legitimidade sem colonialismo, ciência e cooperação
Um ponto central da proposta de Therezinha é que a legitimidade brasileira na Antártica é de caráter funcional, não colonial, vinculada à ciência, à cooperação e à segurança ambiental.
Ela alertava que a ausência seria uma escolha geopolítica, e que ignorar espaços decisivos normalmente acarreta custos estratégicos, portanto, presença e participação são formas de responsabilidade internacional.
Essa posição ressoa hoje, diante do interesse por recursos, rotas e pesquisa biotecnológica, reforçando a necessidade de o Brasil manter voz ativa no Atlântico Sul e no entorno polar.
Formação estratégica na Escola Superior de Guerra
Além da produção intelectual, Therezinha de Castro atuou como instrutora na Escola Superior de Guerra, onde influenciou gerações de militares e civis do Estado brasileiro.
Na ESG ela expandiu o campo da geopolítica para incluir dimensões marítimas, polares e hemisféricas, e, simbolicamente, abriu espaço feminino num ambiente predominantemente masculino.
Ao formar quadros que passaram a ocupar posições-chave, Therezinha contribuiu para criar uma cultura estratégica orientada para a projeção do Brasil no Atlântico Sul e na Antártica.
Legado e atualidade para a Geopolítica Antártica Brasileira
O pensamento de Therezinha mantém-se atual, pois oferece ao Brasil uma narrativa estratégica enraizada na geografia, orientada pela cooperação e pela visão de longo prazo.
Ao defender projeção científica e responsabilidade, ela articulou ideias sobre autonomia estratégica e antecipação geopolítica, fundamentos úteis para políticas como o PROANTAR e para a presença na Estação Comandante Ferraz.
Em tempos de revalorização do Atlântico Sul e de retorno da geopolítica, a obra de Therezinha de Castro segue sendo referência para a Geopolítica Antártica Brasileira, lembrando que pensar grande é também cuidar da ciência, da cooperação e da segurança regional.


