quarta-feira
17 junho

Marinha usa aço 100% nacional da Usiminas em fragatas do Programa Tamandaré, fortalecendo autonomia industrial, cadeia de defesa e transferência de tecnologia

Uso do aço 100% nacional garante chapas e bobinas produzidas em Ipatinga e Cubatão, exige homologação desde 2020 e amplia capacidade da Base Industrial de Defesa

A Marinha do Brasil avançou na construção de novas fragatas utilizando aço 100% nacional, com fornecimento liderado pela Usiminas. A decisão integra o Programa Fragatas Classe Tamandaré e busca reforçar a autonomia estratégica do país.

O material adotado atende requisitos militares, como elevada resistência mecânica, tenacidade e soldabilidade, para operar em condições marítimas extremas. A construção das embarcações ocorre em estaleiro parceiro, com transferência de tecnologia e exigência de certificações.

O processo e os números do fornecimento foram informados pelas instituições envolvidas na execução do programa, com a participação da EMGEPRON e do consórcio Águas Azuis, conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil e pela Usiminas.

Homologação, testes e requisitos técnicos

A entrada da Usiminas no programa passou por um processo de homologação, iniciado em 2020, que avaliou desempenho sob critérios militares rigorosos. Ensaios mecânicos, análises macro e microestruturais e testes de dureza e impacto foram realizados.

As avaliações incluíram também a análise de juntas soldadas em condições simuladas, conduzidas no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, garantindo conformidade com padrões internacionais exigidos pelo programa.

Produção, logística e composição do aço

Cada fragata utiliza cerca de 1.300 toneladas de aço plano, com fornecimento de chapas grossas e bobinas. As chapas grossas produzidas em Ipatinga (MG) e bobinas laminadas a quente fabricadas em Cubatão (SP) compõem o material empregado nas embarcações.

O uso de componentes nacionais envolve integração entre fabricantes, estaleiro e Marinha, reduzindo dependência externa e fortalecendo a cadeia produtiva brasileira, com geração de empregos qualificados e estímulo ao desenvolvimento tecnológico.

Impacto industrial, soberania e cronograma

A participação da indústria siderúrgica brasileira em projetos de defesa consolida a Usiminas como referência no setor e mostra que o país pode competir com siderúrgicas internacionais em segmentos de alto valor agregado.

A construção das fragatas ocorre no estaleiro da TKMS em Itajaí (SC), sob gestão da EMGEPRON e execução pela sociedade Águas Azuis, formada por ThyssenKrupp Marine Systems, Embraer e Atech, com transferência de conhecimento para o Brasil.

A primeira fragata foi lançada ao mar em 2024 e entregue à Marinha em março de 2026, enquanto as demais embarcações seguem em produção, consolidando o avanço da Base Industrial de Defesa brasileira.

Perspectivas e valor estratégico

Além do impacto econômico, o uso de aço 100% nacional reforça uma política de valorização do conhecimento técnico local, aumenta a confiança em soluções nacionais e contribui para a autonomia estratégica em defesa.

O projeto também abre espaço para novos investimentos em pesquisa, certificação e capacitação industrial, com potencial de replicação em outras plataformas navais e áreas sensíveis à segurança do país.

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