Sistema brasileiro conecta aeronaves, radares, sensores e centros de comando, reduzindo tempo de resposta em operações conjuntas, e reforçando autonomia tecnológica nacional
O avanço tecnológico das Forças Armadas brasileiras passa pela integração de comunicações digitais seguras, e o Link-BR2 aparece como peça central dessa transformação.
Desenvolvido por empresas nacionais em parceria com o setor, o sistema permite compartilhar dados táticos entre plataformas diferentes, ampliando a consciência situacional e a coordenação em operações conjuntas.
Nas próximas seções explicamos como o Link-BR2 opera, quem são os fornecedores, quais foram as provas recentes de conceito e os desafios da cadeia de suprimentos, conforme balanço divulgado pela FAB em 25 de junho.
Como o Link-BR2 transforma a arquitetura de comando e controle
O Link-BR2 substitui em grande parte o fluxo tradicional de informações baseado em comunicações por voz, automatizando o compartilhamento de dados de posição, identificação e sensores entre plataformas.
Segundo balanço divulgado pela FAB em 25 de junho, a tecnologia permite o compartilhamento seguro e instantâneo de informações entre aeronaves, radares, sensores e centros de comando, reduzindo o tempo de resposta em operações conjuntas e fortalecendo a capacidade nacional de combate em rede.
Essa integração cria uma visão operacional comum, e reduz o ciclo de decisão, pontos críticos em cenários de conflito contemporâneos, onde a superioridade informacional vale tanto quanto o poder de fogo.
Base Industrial de Defesa, fornecedores e segurança cibernética
O Link-BR2 foi desenvolvido pela AEL Sistemas, em parceria com a Mectron Communication, e em 2024 incorporou soluções de criptografia e cibersegurança da Kryptus, etapa considerada fundamental para a certificação operacional definitiva do programa.
O amadurecimento do sistema reforça a importância da Base Industrial de Defesa, pois projetos desse tipo movimentam cadeias produtivas de alta complexidade e estimulam formação de mão de obra especializada.
Ao mesmo tempo, especialistas ressaltam a necessidade de ampliar a autonomia da cadeia de suprimentos, diante do fato de que a AEL é subsidiária da israelense Elbit Systems, o que expõe desafios de soberania tecnológica em um ambiente geopolítico complexo.
Exportações, integração com plataformas e acordos internacionais
O Link-BR2 já avança para além das fronteiras, com memorandos e acordos para exportações governamentais, inserindo a tecnologia brasileira no portfólio de soluções estratégicas oferecidas a parceiros internacionais.
Além disso, o sistema segue em processo de incorporação ao caça F-39 Gripen, com workshops técnicos e testes para acelerar a integração à principal plataforma de defesa aérea do país.
Essas iniciativas mostram que a convergência entre indústria, tecnologia e doutrina operacional pode projetar fornecedores nacionais em mercados bilaterais e regionais.
Escudo-Tínia 2026, prova operacional do combate em rede
A maior demonstração recente da maturidade do sistema ocorreu durante o Exercício Conjunto Escudo-Tínia 2026, realizado na Base Aérea de Anápolis.
O treinamento reuniu mais de 40 aeronaves, aproximadamente 2 mil militares e quase mil horas de voo, envolvendo meios da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da FAB.
Segundo o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, a integração proporcionada pelo Link-BR2 ampliou a consciência situacional e comprovou que sistemas digitais integrados serão pilares da capacidade de defesa brasileira nas próximas décadas.
Em resumo, o Link-BR2 conecta sensores, aeronaves e comandos, eleva a interoperabilidade entre Marinha, Exército e FAB, e coloca a Base Industrial de Defesa em destaque, ao mesmo tempo em que evidencia desafios para assegurar total autonomia tecnológica.


