sexta-feira
5 junho

Marinha lança documentário e livro para preservar legado da Batalha do Atlântico, com descoberta do Vital de Oliveira e nova edição do Barbacena para jovens

Na Academia Brasileira de Letras, a Marinha reuniu autoridades, familiares e pesquisadores para lançar ‘Vital: memórias que não naufragaram’ e reeditar ‘Barbacena’, reforçando a memória da Batalha do Atlântico

A cerimônia na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, teve como tema “Memória, Mar e Nação: narrativas que atravessam o tempo”, e buscou valorizar a história naval e os que defenderam as rotas brasileiras durante a Segunda Guerra Mundial.

Foram lançadas a produção audiovisual “Vital: memórias que não naufragaram” e a nova edição do livro “Barbacena: mistérios, segredos e conspirações a bordo do navio de guerra mais temido dos mares”, iniciativas voltadas para resgatar memórias e aproximar os jovens da história da Marinha.

O evento reuniu autoridades, pesquisadores, militares, familiares e convidados, em homenagem a militares e civis mortos na Batalha do Atlântico, e destacou a importância da preservação histórica para as futuras gerações,

conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil.

Homenagem e a importância da memória

A Marinha reforçou que preservar relatos e artefatos é essencial para reconhecer coragem, sacrifício e resiliência daqueles que atuaram no Atlântico Sul. A iniciativa visa manter viva a lembrança dos combatentes da Batalha do Atlântico, envolvendo tanto a Força Naval quanto a Marinha Mercante.

Entre 1941 e 1945, a Força Naval percorreu mais de 3 milhões de milhas náuticas, o equivalente a aproximadamente 5,6 milhões de quilômetros, garantindo a proteção das rotas marítimas brasileiras em um período crítico da história contemporânea.

Documentário reconstitui história do “Vital de Oliveira”

O documentário produzido pelo Centro de Comunicação Estratégica da Marinha, “Vital: memórias que não naufragaram”, resgata a trajetória do Navio-Auxiliar “Vital de Oliveira”, que foi afundado em 19 de julho de 1944 após ataque do submarino alemão U-861, próximo ao Farol de São Tomé, no litoral norte do Rio de Janeiro.

O ataque resultou na morte de 100 dos cerca de 270 tripulantes a bordo, e marcou a história brasileira por ser o único navio militar do país destruído diretamente por ação inimiga durante a guerra.

A produção reúne imagens de pesquisas submarinas, registros históricos e depoimentos de especialistas e sobreviventes, incluindo o relato do então Primeiro-Tenente Girgazes Agostinho de Brito, atualmente com 100 anos, um dos últimos sobreviventes do naufrágio.

Descoberta do casco e trabalho de pesquisa

A identificação do naufrágio foi confirmada após mergulhadores encontrarem um canhão preso em redes de pesca, e, em seguida, com varreduras submarinas que utilizaram o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico “Vital de Oliveira”.

O navio foi localizado em janeiro de 2025, a aproximadamente 65 quilômetros da costa de Macaé (RJ), depois de mais de oito décadas desaparecido, e integrou o projeto Atlas dos Naufrágios de Interesse Histórico da Costa do Brasil.

As operações permitiram confirmar a identidade do casco e produzir modelos tridimensionais da embarcação, demonstrando como tecnologia, ciência e preservação histórica atuam de forma integrada na recuperação da memória nacional.

Livro traz cotidiano dos marinheiros e novo olhar para a guerra

A nova edição de “Barbacena: mistérios, segredos e conspirações a bordo do navio de guerra mais temido dos mares” é baseada em “A bordo do contratorpedeiro Barbacena”, do Vice-Almirante João Carlos Gonçalves Caminha, e foi adaptada para alcançar públicos mais jovens.

A obra mistura fatos históricos e elementos literários para retratar liderança, espírito de equipe, disciplina e resiliência dos marinheiros brasileiros que atuaram na Batalha do Atlântico, oferecendo uma visão humanizada dos desafios enfrentados durante o conflito.

Familiares do autor ressaltaram que a publicação é fundamental para preservar a memória do Vice-Almirante Caminha e manter viva sua contribuição para a historiografia naval do país.

Ao final do evento, representantes da Marinha afirmaram que manter viva a memória da Batalha do Atlântico é uma forma de fortalecer a identidade marítima do Brasil e inspirar futuras gerações com histórias de coragem e sacrifício.

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