segunda-feira
10 agosto

Marinha capacita jornalistas com imersão inédita em operações militares, drones, NBQR e resgate, para aprimorar cobertura em áreas de combate e desastres

Curso prático de cinco dias reuniu cerca de 70 jornalistas e estudantes selecionados entre um recorde de 435 inscritos, com treinamento ao lado de Forças Armadas e forças de segurança

A terceira edição do Curso de Cobertura Jornalística em Áreas de Combate e em Emergências colocou repórteres em cenários que simulam conflitos, operações policiais, desastres naturais e missões humanitárias.

Ao longo de cinco dias, participantes vivenciaram exercícios com drones, realidade virtual, NBQR e operações de resgate embarcadas, enfrentando situações de estresse e tomada de decisão sob pressão.

As atividades envolveram militares, policiais civis, policiais militares e bombeiros, com participação de profissionais de 25 estados brasileiros e do Distrito Federal, conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil.

Imersão prática, tecnologia e simulações de combate

O curso levou jornalistas a experiências realistas, começando pela Pista de Liderança, que simula estresse operacional e desenvolve controle emocional e cooperação.

Na programação, a Escola de Drones e sistemas de realidade virtual mostraram como a tecnologia auxilia no reconhecimento de áreas de risco e no planejamento tático.

Um exercício do 2º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais, o Batalhão Humaitá, simulou uma captura por forças hostis e um subsequente resgate, ilustrando os efeitos do estresse em ambiente de combate.

Integração entre Marinha e órgãos de segurança

O treinamento foi conduzido pelo Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval, COpPazNav, em parceria com PMERJ, PCERJ e CBMERJ, ampliando o alcance da capacitação.

Na Cidade da Polícia Civil, instruções da Coordenadoria de Recursos Especiais, CORE, incluíram demonstrações do Esquadrão Antibombas e o uso de cão farejador, com ênfase na identificação e neutralização de artefatos.

Uma participante chegou a vestir o traje antibombas, equipamento de aproximadamente 42 quilos, para sentir na prática as limitações físicas enfrentadas pelos operadores especializados.

Para o coordenador da CORE, delegado Fabrício Oliveira, iniciativas como o curso fortalecem a transparência institucional e ajudam a reduzir distorções na cobertura jornalística.

Preparação para emergências, incêndios e apoio humanitário

No Batalhão de Operações Policiais Especiais, BOPE, os jornalistas acompanharam incursões controladas e instruções sobre planejamento tático e protocolos de emprego da força.

Na Cidade do Fogo, centro do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, os participantes treinaram combate inicial a incêndios, uso de extintores, deslocamento em baixa visibilidade e procedimentos em estruturas colapsadas.

O jornalista Igor Patrick, correspondente do South China Morning Post, relatou que conhecimentos obtidos em treinamentos anteriores permitiram controlar um incêndio em sua residência, evitando consequências mais graves.

Em cenário naval, os alunos conheceram procedimentos de Defesa NBQR na Ilha das Flores, embarcaram em Carros Lagarta Anfíbio e no NDCC Almirante Saboia, entendendo como meios navais são usados em evacuação, transporte de suprimentos e resposta a desastres.

As demonstrações lembraram o emprego desses recursos durante as enchentes no Rio Grande do Sul, quando a Marinha atuou no transporte de equipes, resgate de vítimas e apoio logístico às comunidades afetadas.

Impacto e continuidade na formação da imprensa

Ao todo, a terceira edição reuniu cerca de 70 jornalistas e estudantes, selecionados entre um recorde de 435 inscritos, e reforçou que a proposta não é transformar jornalistas em operadores, mas sim oferecer conhecimento técnico para preservar vidas e elevar a qualidade das reportagens.

Desde sua criação, o CCJACE já formou aproximadamente 170 profissionais, consolidando-se como um programa pioneiro de aproximação entre imprensa, Forças Armadas e órgãos de segurança pública.

Participantes afirmaram que experiências práticas e integração institucional melhoram o entendimento sobre decisões operacionais, reduzindo interpretações equivocadas e promovendo uma cobertura mais contextualizada e responsável.

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