Como os Nordestinos na FEB deixaram suas casas e enfrentaram o inverno europeu, combates em Monte Castelo e Montese, e depois lutaram pela memória dos ex-combatentes no Brasil
A participação dos nordestinos na Força Expedicionária Brasileira, os Nordestinos na FEB, é parte central da memória militar do país, marcada por sacrifício, deslocamento e retorno à vida civil.
Homens provenientes de cidades e zonas rurais do Nordeste embarcaram para a Itália e enfrentaram frio rigoroso, batalhas intensas e a saudade de casa, para integrar operações ao lado das tropas aliadas.
Histórias individuais, como a do sargento Rigoberto de Souza, mostram trajetórias de combate e de construção de memória após a guerra, neste processo de reconhecimento nacional, conforme informação divulgada pela Revista eBlog, autor Sgt Nunes.
Origem, alistamento e roteiro até a Itália
Muitos dos Nordestinos na FEB saíram de pequenas comunidades sem imaginar que cruzariam o Atlântico para combater em solo europeu. Um exemplo é Rigoberto de Souza, nascido em 3 de dezembro de 1922, em Pombal, Paraíba.
Rigoberto foi incorporado ao Exército Brasileiro em 1º de agosto de 1941, como soldado do 15º Regimento de Infantaria, em João Pessoa, e em 1942 realizou o Curso de Formação de Cabos na cidade do Recife, segundo o acervo familiar citado pela fonte.
Transferências posteriores o levaram a Campina Grande e a Campo Grande, em Mato Grosso, até que, já 3º Sargento de Infantaria, integrou em julho de 1944 o 2º escalão da FEB e desembarcou no porto de Nápoles, Itália.
Campanha na Itália, combates e condições adversas
Na campanha europeia os pracinhas nordestinos enfrentaram terrenos montanhosos, frio intenso e um inimigo experiente. Rigoberto serviu na Companhia de Canhões Anticarros, transformada depois em subunidade de fuzileiros, onde comandou um grupo de combate.
Participou de combates importantes, como Monte Castelo e Montese, ações que marcaram a presença brasileira na campanha italiana. Por sua atuação, foi condecorado com a Cruz de Combate de 2ª Classe, a Medalha de Campanha e a Medalha de Guerra, conforme relatado pela fonte original.
Essas decisões táticas ocorridas na campanha ilustram como os Nordestinos na FEB integraram ações coletivas, apesar de muitas vezes terem pouca experiência prévia em ambientes frios e montanhosos.
Retorno, vida civil e preservação da memória
Rigoberto permaneceu na Itália até setembro de 1945, retornando ao Brasil e desembarcando no Rio de Janeiro, e no mesmo ano, em 30 de setembro, desligou-se do Exército Brasileiro, conforme os registros citados pela fonte.
De volta à vida civil, concluiu o curso de Odontologia na Universidade Federal de Pernambuco em 1953, e exerceu funções públicas, atuando como escriturário no antigo IAPETEC, auditor-fiscal do IAPAS, atual INSS, e como cirurgião-dentista no estado de Pernambuco.
Além da carreira profissional, Rigoberto participou ativamente da preservação da memória dos ex-combatentes, sendo um dos fundadores da Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Regional Pernambuco, e atuando em movimentos que contribuíram para o reconhecimento dos direitos dos ex-combatentes na Constituição de 1988.
Legado e importância dos Nordestinos na FEB
Histórias como a do sargento Rigoberto demonstram que a presença dos Nordestinos na FEB ultrapassa estatísticas, envolvendo trajetórias pessoais, formação profissional e engajamento político no pós-guerra.
Preservar essas memórias é reconhecer o papel do Nordeste na história militar do Brasil, lembrar sacrifícios e celebrar a contribuição desses homens que, vindos de diferentes regiões, cruzaram o Oceano Atlântico para participar de um capítulo decisivo da história nacional.
As informações aqui relatadas são baseadas em material fornecido por Sgt Nunes, e em informações e acervo familiar do Sr Rigoberto de Sousa Júnior, filho e presidente da Anvfeb PE – Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Pernambuco, conforme publicado pela Revista eBlog.


