Entrada da J&F na Avibras, por meio da Globe Investimentos, tem como objetivo retomar operações, preservar tecnologia do Sistema ASTROS e proteger empregos na indústria de defesa
A Avibras Indústria Aeroespacial, uma das principais empresas da Base Industrial de Defesa do Brasil, passará ao controle do grupo J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista, em operação conduzida pela Globe Investimentos.
A aquisição, que envolve 100% da companhia, foi anunciada como um passo para garantir a retomada das atividades industriais, preservar capacidades tecnológicas e abrir espaço para expansão nos mercados nacional e internacional.
Segundo as informações recebidas, a operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, para ser concluída, conforme informação divulgada pela Globe Investimentos e reportagem do Defesa em Foco.
Compra, recuperação judicial e situação financeira
A Avibras entrou em recuperação judicial em março de 2022, informando dívidas de aproximadamente R$ 394 milhões. A crise financeira colocou em risco a continuidade das operações e programas estratégicos para as Forças Armadas.
Ao longo do processo, o Fundo Brasil Crédito apresentou um plano alternativo de recuperação, e se tornou o maior credor após aquisição de créditos. A reestruturação societária foi permitida após aprovação pela Justiça paulista e pelos credores, com a Globe Investimentos já participando do financiamento e contando com uma opção de compra vinculada ao plano de recuperação.
Sistema ASTROS e capacidades estratégicas preservadas
O maior ativo da Avibras é o Sistema ASTROS, plataforma brasileira de lançadores múltiplos de foguetes e mísseis utilizada pelo Exército Brasileiro e exportada para diversos países, que integra programas estratégicos da Defesa Nacional.
Além do Sistema ASTROS, a Avibras desenvolve tecnologias em foguetes de artilharia, mísseis táticos, sistemas de defesa antiaérea, veículos militares e tecnologias aeroespaciais, capacidades consideradas relevantes para a autonomia tecnológica brasileira na área de defesa.
Empregos, acordo trabalhista e retorno da produção
A crise provocou uma das mais longas paralisações da indústria de defesa brasileira, a greve dos trabalhadores durou 1.280 dias, e foi encerrada com um acordo homologado pela Justiça do Trabalho.
O acordo prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas para cerca de 1.400 empregados, em um cronograma de até quatro anos. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região informou que acompanhará o cumprimento do acordo, defendendo a manutenção dos empregos e dos direitos trabalhistas.
Próximos passos, aprovação do Cade e impacto na BID
Embora o contrato de compra esteja firmado, a conclusão dependerá da análise do Cade, responsável por avaliar aspectos concorrenciais da aquisição. Somente após essa etapa a Globe assumirá definitivamente o controle da empresa.
Nos últimos meses a Avibras retomou a produção de foguetes, mísseis e veículos militares na fábrica de Jacareí, em São Paulo, um dos principais polos da indústria de defesa do país, e a expectativa é que a entrada da J&F dê sustentação à retomada industrial e à atuação internacional da empresa.
Para a Base Industrial de Defesa, a operação representa um marco potencial, podendo garantir a continuidade de uma empresa estratégica, preservar conhecimento tecnológico, manter capacidade industrial e proteger uma cadeia produtiva considerada essencial para a soberania nacional.


