Validação operacional na Nova Planta de Carregamento em Juiz de Fora marca avanço na produção nacional de granadas M107, com processo automatizado para maior segurança e qualidade
A Nova Planta de Carregamento da Fábrica de Juiz de Fora entrou na fase de validação operacional com o primeiro carregamento de um lote de granadas M107 de 155 mm preenchidas com TNT, atividade que aponta para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa.
O procedimento, realizado na última quinta-feira (30), assinala o início do aperfeiçoamento das rotinas industriais, da validação dos equipamentos e do atendimento a padrões de qualidade e segurança cada vez mais exigentes.
As informações e os dados sobre a operação foram divulgados pela Indústria de Material Bélico do Brasil, e mostram como a nova planta deve aumentar a confiabilidade e a produção nacional de munições estratégicas, conforme informação divulgada pela Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL).
Processo automatizado e controle térmico do carregamento
O fluxo de carregamento segue um processo automatizado, com o carro de transporte passando pelo túnel de pré-aquecimento e seguindo até a estação de carregamento por meio de um sistema automatizado de indexação, o que reduz exposição humana e variação operacional.
Em sequência, ocorre o preenchimento das granadas com TNT fundido, preparado nas cubas de fusão e transferido para a cuba de vazamento, e, após o enchimento completo, os artefatos seguem para a cabine de resfriamento, onde ferramentas de aquecimento controlado garantiram a solidificação uniforme do explosivo.
Segundo a IMBEL, esse procedimento reduz a possibilidade de defeitos internos na carga explosiva, aumentando a confiabilidade, a segurança e a qualidade do produto final, o que contribui diretamente para maior segurança no armazenamento, transporte e emprego operacional.
Validação operacional e coleta de dados para otimização
A primeira operação tem caráter de coleta técnica e consolidação de parâmetros, e, nas palavras da empresa, “esta primeira operação permitirá consolidar parâmetros de produção e coletar dados técnicos fundamentais para a otimização dos processos industriais“.
Os dados obtidos nesta fase servirão para ajustar rotinas, melhorar a eficiência da planta e garantir conformidade com requisitos normativos aplicáveis à fabricação de munições, com foco em repetibilidade e segurança.
Autonomia tecnológica e capacidade ampliada
A Nova Planta de Carregamento, inaugurada em agosto de 2025, representa um investimento relevante para a produção nacional, ao modernizar uma planta originalmente importada com engenharia brasileira.
De acordo com a IMBEL, “a nova unidade amplia a capacidade de carregamento de munições entre 60 mm e 155 mm, incluindo granadas de alcance estendido, munições de carga oca e explosivos insensíveis“, ampliando o portfólio industrial e a segurança logística das Forças Armadas.
Produção nacional e papel histórico da Fábrica de Juiz de Fora
A continuidade do processo de nacionalização já vinha de etapas anteriores, e, conforme registro da própria unidade, “Em 2022, a unidade já havia entregue ao Exército Brasileiro o primeiro lote do Tiro 155 mm M107 produzido integralmente no país, incluindo componentes como o corpo da granada, estopilhas e cargas de projeção fabricados pela própria indústria nacional“.
Criada em 1934 como Fábrica de Estojos e Espoletas de Artilharia (FEEA), a Fábrica de Juiz de Fora mantém exclusividade na fabricação de munições de artilharia destinadas à Força Terrestre e segue como referência para a autonomia logística e tecnológica das Forças Armadas.
Com a validação da nova planta, a IMBEL amplia sua capacidade produtiva, reduz a dependência de fornecedores estrangeiros em um segmento estratégico e consolida a produção nacional de munições, com impacto direto na soberania e segurança nacional.


