Representantes brasileiros apresentaram subsídios técnicos para a construção de um marco regulatório internacional sobre propulsão nuclear no transporte marítimo, alinhado à meta de neutralidade de carbono
A Marinha do Brasil ampliou sua participação nas discussões internacionais sobre o futuro da propulsão nuclear no transporte marítimo, com foco em segurança, operação e normas técnicas.
O trabalho reúne estudos sobre sistemas nucleares embarcados e a adequação de regras existentes a tecnologias capazes de reduzir emissões de gases de efeito estufa.
O ciclo de atividades incluiu reuniões virtuais e contribuições técnicas voltadas à elaboração do futuro marco regulatório internacional para essas tecnologias.
conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil
Grupo de Correspondência da IMO e objetivo das discussões
O Grupo de Correspondência, criado durante a 12ª Sessão do Subcomitê de Projetos e Construção de Navios (SDC-12), realizada em janeiro, integra o programa da IMO voltado ao desenvolvimento de normas de segurança para tecnologias inovadoras empregadas em embarcações comerciais.
As atividades visam apoiar a estratégia da IMO de alcançar emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2050, com estudos sobre combustíveis alternativos e sistemas avançados de propulsão, incluindo a energia nuclear.
Principais temas técnicos em debate
Entre os temas prioritários está a aplicação de reatores nucleares na propulsão de navios mercantes, considerada por especialistas uma alternativa de longo prazo para reduzir as emissões de carbono em grandes embarcações.
Os trabalhos incluem a revisão do Código de Segurança Nuclear para Navios Mercantes (Nuclear Code) e das disposições do Capítulo VIII da Convenção SOLAS, Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar, conhecida em inglês como Safety of Life at Sea, com vistas a estabelecer critérios modernos para projeto, operação e segurança.
Contribuições brasileiras e equipe técnica
A participação brasileira foi conduzida pela Secretaria de Segurança Nuclear, Qualidade e Normalização, SecNSNQ, com especialistas como o Capitão de Corveta (Engenheiro Naval) Amilton de Sousa, o Engenheiro Nuclear Andrey Thomé e o Engenheiro Mecânico Felippe Barbosa.
A equipe reuniu conhecimentos em engenharia naval, tecnologia nuclear, sistemas de plataformas marítimas e acordos internacionais, concentrando contribuições especialmente em aspectos relacionados à segurança nuclear naval e aos requisitos técnicos para o emprego seguro da energia nuclear em embarcações.
O ciclo de trabalhos foi concluído em 17 de julho, com apresentação de documentos e recomendações que poderão orientar a próxima fase de elaboração normativa.
Impacto para a indústria naval e próximos passos
A atuação da Marinha do Brasil nos fóruns da IMO fortalece a presença do país nas decisões que devem definir padrões para a próxima geração de tecnologias marítimas e para a descarbonização do transporte marítimo.
A participação permite acompanhar a evolução regulatória e ampliar a capacidade técnica nacional para temas estratégicos, como inovação, segurança da navegação e desenvolvimento sustentável do setor marítimo.
Novas rodadas de discussão e a consolidação de textos normativos pela IMO devem ocorrer nos próximos ciclos de trabalho, com acompanhamento de Estados-membros e organizações internacionais.


