Processo iniciado em 2023, alinhado à Estratégia Nacional de Defesa 2024, cria Esquadrão de Drones, FRIDA e novos meios para ampliar a presença naval e terrestre
A Marinha do Brasil concluiu nesta semana uma etapa da modernização dos Fuzileiros Navais, que inclui novas plataformas, armamentos e capacidades não tripuladas.
As mudanças fazem parte de uma reestruturação iniciada em 2023, com o objetivo de ampliar a atuação em cenários marítimos, costeiros e fluviais cada vez mais complexos.
A apresentação ocorreu na Fortaleza de São José, no Rio de Janeiro, em evento que marcou os 218 anos do Corpo de Fuzileiros Navais, comemorados em 7 de março, conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil.
Nova estrutura operacional dos Fuzileiros Navais
A reestruturação reorganizou a atuação em quatro vertentes operacionais, ampliando a flexibilidade da tropa. As vertentes são anfíbia, ribeirinha, litorânea e de proteção, e visam cobrir desde operações de projeção do poder naval até defesa do litoral a partir do continente.
A vertente ribeirinha recebeu atenção especial, com a continuidade de três Batalhões de Operações Ribeirinhas dedicados à proteção de áreas estratégicas, especialmente na Amazônia.
Segundo o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, a reestruturação fortalece a prontidão da tropa sem aumento do efetivo, tornando a Força mais eficiente e preparada para enfrentar cenários operacionais complexos.
Novos equipamentos e ampliação do poder de combate
Entre os meios apresentados estão as Embarcações de Desembarque Litorâneo (EDLit), nacionais, blindadas e de alta mobilidade, projetadas para inserção rápida em áreas costeiras e fluviais com infraestrutura limitada.
As EDLit podem atingir cerca de 74 km/h e transportar até 13 militares, além de estarem equipadas com metralhadoras pesadas, sensores e câmeras termais, o que aumenta a capacidade de ação em cenários litorâneos.
Na área de mísseis, a Marinha integrou o sistema ASTROS ao Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP), armamento desenvolvido no Brasil com alcance aproximado de 70 quilômetros, em voo rasante sobre o mar.
Também foi destacada a incorporação do Sistema de Mísseis Anticarro Expedicionário (SMACE), equipado com o míssil MSS 1.2 MAX, guiado a laser e capaz de perfurar blindagens pesadas.
Drones, Escola de Drones e apoio a desastres
O Corpo de Fuzileiros Navais ativou um Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, com plataformas para reconhecimento, vigilância e apoio a operações, incluindo drones com sensores eletro-ópticos, infravermelhos e termais.
Foram apresentados também drones de asa fixa para missões de ataque controlado, e anunciada a criação da Escola de Drones, que funcionará no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo, no Rio de Janeiro, para formar operadores e integrar táticas não tripuladas.
Além das missões militares, a tropa amplia o apoio à população por meio da Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA), equipada com viaturas, embarcações e hospital de campanha, para atuação rápida em eventos extremos.
Capacitação, presença feminina e cooperação internacional
O processo de transformação inclui treinamentos, exercícios militares com países parceiros e investimento em doutrina para operar em ambientes complexos, do litoral aos rios do interior.
A Marinha também ressaltou a ampliação da participação feminina no Corpo, que já conta com mais de 400 mulheres atuando em áreas como infantaria, engenharia e operação de blindados.
Com 218 anos de história, o Corpo de Fuzileiros Navais reafirma seu papel como uma das principais forças anfíbias da América Latina, e elemento central na defesa da Amazônia Azul e do território nacional.


