ZOPACAS completa 40 anos e volta ao debate estratégico entre países ribeirinhos do Atlântico Sul, com foco em integração Sul-Sul e autonomia frente a potências externas
Atlântico Sul voltou a figurar no centro das discussões estratégicas regionais em razão da IX Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. O encontro ocorreu no Rio de Janeiro e reavivou o debate sobre recursos, segurança e diplomacia entre nações ribeirinhas.
A iniciativa ganhou destaque pela coincidência com os 40 anos de existência do fórum e pelo aumento de interesses de potências externas em áreas como o Golfo da Guiné e as áreas de exploração do pré-sal. A movimentação reacende a discussão sobre coordenação regional e defesa de interesses comuns.
Conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco, a retomada do fórum foi apresentada como oportunidade para fortalecer a integração Sul-Sul e resguardar a autonomia estratégica dos países do Atlântico Sul.
Origem e objetivos na Guerra Fria
A Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, conhecida como ZOPACAS, “foi criada em 1986, por iniciativa do Brasil com apoio da Argentina, em um cenário marcado pelas tensões da Guerra Fria”. A proposta visava evitar a militarização externa do espaço marítimo e promover cooperação entre países da América do Sul e da África.
Na ocasião, preocupações com conflitos regionais e iniciativas de potências externas motivaram a formulação de um instrumento diplomático que afirmasse o Atlântico Sul como área de paz, cooperação e autonomia para suas nações ribeirinhas.
Fragilidades institucionais ao longo de 40 anos
Ao longo das quatro décadas, a ZOPACAS enfrentou limitações, sobretudo pela falta de continuidade política e de estrutura permanente. Em muitos momentos, o fórum foi visto como simbólico, devido a longos intervalos entre reuniões ministeriais e ausência de sede, orçamento e secretariado.
Essa baixa institucionalização comprometeu a capacidade de converter declarações em ações concretas, reduzindo a coordenação entre países sobre temas como vigilância marítima, investigação científica conjunta e negociação de interesses comerciais ligados ao Atlântico Sul.
Relevância atual e desafios geopolíticos
No contexto atual, o Atlântico Sul recupera relevância estratégica por conta da exploração do pré-sal, do aumento da presença internacional no Golfo da Guiné e das novas disputas entre potências. Esses fatores ampliam a necessidade de mecanismos regionais de diálogo e cooperação.
Especialistas e autoridades participantes da IX Reunião Ministerial enfatizaram que a ZOPACAS pode servir para articular respostas conjuntas, promover a integração Sul-Sul e proteger recursos, caso haja maior institucionalização e compromissos concretos dos estados membros.
Perspectivas e próximos passos
Para que a ZOPACAS se torne um instrumento eficaz, será preciso avançar em arranjos permanentes, como um secretariado e financiamento estável, e em agendas práticas sobre segurança marítima e gestão de recursos. A retomada do fórum no Rio é vista como oportunidade para iniciar esse processo.
O desafio é transformar o simbolismo em governança, e alinhar interesses diversos em torno de uma visão comum para o Atlântico Sul, garantindo maior autonomia estratégica diante da competição internacional.


