Marinha do Brasil intensifica ações contra submarinos do tráfico, com cooperação do Peru e da Colômbia, uso de tecnologia espacial, inteligência e operações integradas na Bacia Amazônica
A presença crescente de rotas ilícitas na Amazônia levou a Marinha do Brasil a ampliar a vigilância fluvial e marítima, em resposta à nova dinâmica do narcotráfico.
O uso de semissubmersíveis tornou mais difícil a detecção, e a atuação conjunta com vizinhos é apontada como caminho para interromper esses fluxos.
A atuação se fortaleceu em encontros bilaterais e multilaterais, com troca de inteligência e operações coordenadas, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Semissubmersíveis e nova dinâmica do narcotráfico na Amazônia
Os chamados submarinos do tráfico são embarcações semissubmersíveis projetadas para reduzir a visibilidade por radares e vigilância visual, permitindo longos deslocamentos com cargas pesadas.
Em operação recente foi apreendido um semissubmersível, cuja descrição incluía, textualmente, “capacidade de transportar até sete toneladas de cocaína, com autonomia suficiente para alcançar a Europa.”
A sofisticação dessas embarcações exige respostas mais tecnológicas e maior coordenação entre as forças de segurança da região.
Cooperação internacional e atuação integrada
A resposta passou pela intensificação da cooperação entre Brasil, Peru e Colômbia, consolidada na VI Reunião Tripartite sobre segurança na Bacia Amazônica, encontro que reuniu forças militares, policiais e representantes internacionais.
A participação da Marinha do Brasil, por meio de comandos operacionais estratégicos, reforça o controle fluvial e marítimo, e permite o compartilhamento de inteligência e recursos.
A integração trilateral favorece operações coordenadas, aumento da capacidade de patrulha e troca de informações para rastrear rotas usadas por criminosos.
Tecnologia, inteligência e controle territorial
Combater o narcotráfico na Amazônia tem demandado o uso de imagens de satélite, sensores aeroespaciais e sistemas de inteligência artificial para identificar atividades suspeitas.
Essas ferramentas têm sido fundamentais para localizar estruturas clandestinas e monitorar deslocamentos de embarcações, reduzindo a vantagem operacional dos grupos criminosos.
Além da tecnologia, a posição estratégica de Belém e o controle territorial integrado são apontados como essenciais para impedir que a região se consolide como um corredor logístico do crime transnacional.
Desafios e próximos passos
O desafio permanece alto, por conta da extensão da região e da adaptabilidade das organizações criminosas, entretanto, a intensificação da cooperação e o investimento em inteligência são passos decisivos.
Operações conjuntas, capacitação e intercâmbio de tecnologias entre Brasil, Peru e Colômbia devem continuar a pauta, com apoio de organismos internacionais, para reduzir a circulação dos submarinos do tráfico.


