Acordo prevê produção local de tecnologias não letais, transferência de know-how e um Centro Regional de Excelência e Testes para forças militares e segurança pública na Europa
A EDGE e a 4iG Space and Defence Technologies avançaram em um acordo preliminar para criar uma joint venture na Hungria, com foco no desenvolvimento e na produção de tecnologias não letais destinadas a forças militares, órgãos de segurança pública e agências de aplicação da lei por toda a Europa.
A parceria, estruturada por meio da CONDOR Non-Lethal Technologies, prevê também a instalação de um Centro Regional de Excelência e Testes, que terá funções de capacitação de operadores, avaliação de equipamentos e desenvolvimento de capacidades especializadas.
O movimento faz parte da estratégia de internacionalização da EDGE, e pretende reduzir prazos de atendimento ao mercado europeu, além de fortalecer a cadeia industrial local na Hungria.
conforme informação divulgada pela EDGE e pela 4iG Space and Defence Technologies durante a Eurosatory 2026
Detalhes da joint venture e escopo industrial
A futura joint venture será responsável pelo desenvolvimento, fabricação e comercialização de uma ampla gama de soluções de defesa não letal, incluindo munições especializadas, produtos pirotécnicos, tecnologias inteligentes de defesa e equipamentos para operações em ambientes complexos.
Segundo o documento preliminar anunciado em Paris, a estrutura produtiva localizada na Hungria permitirá o compartilhamento de conhecimento técnico e a integração de capacidades industriais entre os parceiros, com o objetivo de ampliar a disponibilidade de sistemas e reduzir prazos de entrega no mercado europeu.
A cooperação entre as empresas tem histórico recente, após a assinatura de um Memorando de Entendimento em agosto de 2025 para explorar oportunidades conjuntas no segmento de tecnologias não letais e soluções avançadas de segurança.
Centro Regional de Excelência e Testes, treinamento e avaliação
Um dos pilares do projeto é a criação do chamado Centro Regional de Excelência e Testes, destinado à capacitação de operadores, execução de testes operacionais e avaliação de equipamentos antes da sua aquisição e emprego operacional.
O centro deverá apoiar forças armadas, forças de segurança pública e agências de aplicação da lei, oferecendo programas de capacitação e aperfeiçoamento profissional, e servindo como ambiente de pesquisa aplicada e intercâmbio de experiências entre instituições europeias.
Com essa estrutura, as empresas esperam oferecer aos clientes a possibilidade de validar tecnologias em cenários controlados, reduzindo riscos e ampliando a confiança no uso de tecnologias não letais em operações reais.
Impacto para a Hungria e a indústria de defesa europeia
A escolha da Hungria para sediar a joint venture está alinhada ao movimento europeu de fortalecimento das capacidades industriais de defesa, com países buscando maior autonomia e prontidão tecnológica.
Para a 4iG S&D, a iniciativa representa uma oportunidade de consolidar a Hungria como polo regional de inovação e produção tecnológica voltada aos setores de defesa e segurança, além de contribuir para a geração de empregos qualificados e o fortalecimento da cadeia industrial local.
Para a EDGE, que foi criada em 2019 nos Emirados Árabes Unidos, a parceria reforça a estratégia de internacionalização baseada na criação de capacidades produtivas próximas aos mercados consumidores, permitindo maior integração com clientes, fornecedores e instituições da região.
Contexto estratégico, demandas e próximos passos
A assinatura do acordo ocorreu durante a Eurosatory 2026, em Paris, em um contexto de crescente atenção europeia a temas de segurança, defesa e autonomia industrial, com governos aumentando investimentos para fortalecer capacidades militares e proteção de infraestruturas críticas.
Nesse cenário, as tecnologias não letais ganham destaque por oferecer alternativas para controle de distúrbios, proteção de instalações sensíveis e gerenciamento de crises, ao reduzir danos colaterais e minimizar riscos em operações militares e de segurança pública.
As empresas afirmam que o acordo preliminar avançado na feira agora seguirá para negociações finais e estruturação da joint venture, incluindo decisões sobre investimentos, cronograma de implantação e o desenho operacional do Centro Regional de Excelência e Testes.


