Acordo técnico entre Marinha, BNDES, Cemaden e SEDEC transforma ciência em ações práticas de prevenção de desastres naturais, sistemas de alerta e resposta rápida
A Marinha do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o Cemaden e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil assinaram um Acordo de Cooperação Técnica para ampliar o uso da ciência e da tecnologia na prevenção de desastres naturais. O objetivo é integrar monitoramento, pesquisa e capacidade operacional para reduzir riscos e acelerar a resposta a eventos extremos.
A parceria prevê pesquisa em hidrologia, meteorologia, geologia e clima, melhoria de sistemas de previsão e a criação de mecanismos de cooperação para emissão antecipada de alertas. A expectativa é reduzir perdas humanas e danos materiais por enchentes, deslizamentos e secas.
O ACT foi assinado em 1º de julho, durante as comemorações dos 15 anos do Cemaden, em São José dos Campos, e resulta do Protocolo de Intenções firmado na COP-30 no fim de 2025, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
O que prevê o Acordo de Cooperação Técnica
O novo ACT institucionaliza a integração entre defesa, ciência e financiamento, com foco na prevenção de desastres naturais e em respostas humanitárias mais ágeis. Entre as ações previstas estão o desenvolvimento de pesquisas aplicadas, a criação de sistemas tecnológicos de monitoramento e a padronização de procedimentos para alertas e atendimento emergencial.
O documento busca transformar dados de monitoramento ambiental em instrumentos práticos para a proteção de populações vulneráveis, ampliando a capacidade do Estado de antecipar riscos e coordenar atuação entre órgãos federais, estaduais e municipais.
FRIDA, operações e experiência internacional
O acordo também fortalece a Força de Resposta Imediata a Desastres Naturais, a FRIDA, coordenada pelo Corpo de Fuzileiros Navais e criada em novembro de 2025 para operações emergenciais no Brasil e no exterior. A FRIDA já atuou em missões internacionais, demonstrando rapidez e capacidade expedicionária.
Sobre essa capacidade, o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra Carlos Chagas, afirmou, “É um tremendo orgulho ver um avião da Força Aérea Brasileira, fabricado no Brasil, como o KC-390, transportando um hospital de campanha operado por militares brasileiros e chegar à Venezuela com tamanha rapidez que permitiu que o hospital brasileiro fosse o primeiro a atender à população.”
Financiamento, inovação e adaptação climática
A participação do BNDES no ACT agrega recursos e capacidade de financiar soluções tecnológicas voltadas à prevenção de riscos e à modernização da defesa civil. O banco permitirá viabilizar pesquisas e sistemas que integrem previsão, alerta e logística de resposta.
A diretora do Cemaden, Regina Alvalá, destacou o propósito central da iniciativa, “O mais importante é avançarmos no conhecimento e na geração de mais pesquisas e desenvolvimento tecnológico de tal forma que a gente consiga antecipar mais ainda a emissão dos alertas para que o maior propósito, que é salvar vidas, seja concretizado.”
Ao unir ciência, tecnologia e capacidade operacional, o ACT simboliza uma nova etapa na relação entre Estado, pesquisa e sociedade, visando a resiliência climática e a proteção de comunidades mais expostas aos efeitos das mudanças climáticas.


