Há 45 anos, o ingresso das mulheres na Marinha abriu caminho para carreiras em saúde, engenharia e hoje alcança comando, submarinos, aviação naval e operações especiais
A presença feminina mudou a estrutura da Força Naval desde o primeiro concurso nacional que permitiu o ingresso de mulheres, em 1980.
As primeiras oficiais concluíram a formação no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes, no Rio de Janeiro, em 14 de agosto de 1981.
Esses marcos históricos reúnem pioneiras que retornaram ao CEFAN para celebrar e reconhecer trajetórias que ampliaram oportunidades, conforme informação divulgada pela Marinha do Brasil.
Origens e marco inicial
Em 1980 foi criada o Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha (CAFRM), que autorizou o ingresso de mulheres por meio de concurso público nacional.
As primeiras oficiais integraram o Quadro Auxiliar Feminino de Oficiais (QAFO) e as mulheres de nível técnico passaram a compor o Quadro Auxiliar Feminino de Praças (QAFP), conhecido como Turma “Maria Quitéria”.
Em 1981, as oficiais concluíram a formação no CEFAN, e, quatro décadas e meia depois, integrantes da Turma “Princesa Isabel” retornaram ao centro de formação, numa cerimônia que reuniu 98 pioneiras e contou com o descerramento de uma placa comemorativa.
Expansão das funções e presença em áreas estratégicas
No começo, as mulheres atuavam sobretudo em saúde, engenharia, administração e atividades técnicas em terra, mas a carreira se diversificou ao longo dos anos.
Alterações na legislação e na estrutura da Marinha ampliaram o acesso feminino a cargos de comando e a qualificações antes restritas, permitindo que hoje as mulheres na Marinha participem de áreas como direção em hospitais militares, centros tecnológicos, organizações de ensino e comandos administrativos.
Além disso, houve abertura para cursos e atuações em setores operacionais, incluindo Operações Especiais, Submarinos, Mergulho Militar e Aviação Naval, entre outras formações especializadas.
Legado das pioneiras e reconhecimento
Um dos principais símbolos dessa história é a Contra-Almirante (Médica) Dalva Maria Carvalho Mendes, integrante da primeira turma de oficiais mulheres e a primeira mulher a alcançar o posto de Oficial-General nas Forças Armadas brasileiras.
Ao relembrar os primeiros anos, Dalva destacou os desafios enfrentados pelas pioneiras para demonstrar competência técnica e capacidade militar, e afirmou que o legado da Turma “Princesa Isabel” foi abrir portas da igualdade para as gerações seguintes.
O CEFAN permanece como espaço de formação militar e de preservação da memória das primeiras militares, e o retorno das pioneiras ao local reforçou o reconhecimento institucional de sua contribuição.
Desafios atuais e perspectivas
A celebração dos 45 anos da presença feminina representa mais do que uma data comemorativa, ela marca uma transformação consolidada ao longo das últimas décadas.
Para o Defesa em Foco, essa trajetória evidencia a evolução da Marinha do Brasil na integração das mulheres em funções estratégicas da Defesa Nacional, preservando a memória das primeiras militares e reconhecendo o papel das novas gerações na construção da Força Naval do futuro.
O caminho das mulheres na Marinha continua em expansão, com foco em ampliar oportunidades profissionais, igualdade de acesso e aproveitamento das capacidades técnicas das militares em diferentes ambientes operacionais.


